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domingo, 17 de maio de 2026

Anvisa Amordaçada: a Tragédia das Malhas Vaginais de Plástico Para Prolapso de Órgãos Pélvicos e Slings de Plástico Para Incontinência Urinária de Esforço Feminina

O interior da embalagem plástica do detergente proibido é usado aqui de forma metafórica - ou não - para esconder a agonia de milhares de mulheres brasileiras, vítimas dos implantes de plástico introduzidos cirurgicamente, através da vagina, em cirurgias ginecológicas, conhecidos como malhas vaginais, para prolapso de órgãos pélvicos, e slings suburetrais, para incontinência urinária de esforço (IUE) feminina. As lâminas, pregos e arame farpado, que atravessam o simulacro da malha cirúrgica, foram inspiradas nos relatos de várias mulheres brasileiras e estrangeiras, vítimas desses implantes, sobre as dores torturantes que são obrigadas a suportar diariamente: "Ivo, sinto como se tivessem rasgando a minha vagina, de dentro para fora, com pregos e navalhas. Quando tento pegar alguma coisa no chão, sinto, ao tentar me levantar, como se meu útero, vagina, bexiga e uretra tivessem sido envolvidos por arame farpado. Quando isso acontece, há sangramento mais forte que o habitual, o que me obriga a ficar internada por vários dias em leito hospitalar, vivendo à base de soro, analgésicos e antibióticos."           

Como o silêncio possivelmente remunerado da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) contribuiu para que milhares de mulheres brasileiras recebessem (e continuem recebendo) implantes cirúrgicos de malhas vaginais para prolapso de órgãos pélvicos (POP) e slings suburetrais para incontinência urinária de esforço (IUE) feminina, materiais proibidos em vários países por provocar graves complicações pós-cirúrgicas e mortes? Uma carta à sua diretoria colegiada.


Senhores Diretores colegiados (a),
Leandro Safatle, Marcelo Mario Matos Moreira, Daniel Meirelles Fernandes Pereira, Thiago Lopes Cardoso Campos e Daniela Marreco Cerqueira, a quem, em razão de sua formação técnica em biologia e seu gênero (as maiores vítimas do holocaustos das malhas e slings de plástico são mulheres acima dos 30 anos, faixa etária que coincide, sobretudo em mulheres com histórico de partos vaginais, com o aparecimento de sintomas de disfunções do assoalho pélvico (DAP), passíveis de correção cirúrgica com os implantes de plástico aqui denunciados), dirijo essa carta aberta,   

Nesse momento, a Anvisa exibe para as câmeras da imprensa brasileira, como um verdadeiro troféu, a suspensão da comercialização dos detergentes da Ypê contaminados por bactérias. Há muita pirotecnia e estardalhaço em volta desse caso, marcado pelas tolices que caracterizam a evolução política de nosso povo, com luta encarniçada, entre militantes lulistas e bolsonaristas, em torno de uma ação logicamente importante para a segurança do consumidor brasileiro, mas quase inócua, se comparada com os milhares de corpos de mulheres brasileiras (apolíticas, lulistas, bolsonaristas ou de qualquer outra ideologia, raça ou classe social) vitimadas, inacreditavelmente, pelo implante cirúrgico de pedaços de plástico (malhas de polipropileno, o mesmo usado em tampas de garrafas de refrigerante e de embalagens de detergentes da Ypê), realizados por seus próprios médicos contra seus órgãos pélvicos, conhecidos popularmente como malhas vaginais para prolapso de órgãos pélvicos (POP) e slings suburetrais para incontinência urinária de esforço (IUE) feminina, produtos proibidos parcial ou totalmente pelas agências regulatórias dos Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia, dentre outras, devido às graves complicações desencadeadas nas fases intraoperatória, como a perfuração de órgãos e lesão de vasos sanguíneos e nervos, e complicações pós-operatórias tardias, às vezes manifestadas anos após a realização do procedimento, como lesão de órgãos pélvicos decorrentes da migração do implante ou sua retração (encolhimento), devido à oxidação do plástico, provocando dor pélvica crônica excruciante, sangramento vaginal, anal, extrusão do plástico através das paredes da vagina, útero, bexiga urinária, intestino e tecidos moles adjacentes, erosão tecidual e infecções recorrentes das feridas, resultando em mortes diretas, geralmente por sepse ou hemorragia (mais aqui e aqui), e indiretas, através de suicídios motivados pela dor pélvica crônica (DPC) excruciante e ininterrupta que torturam essas mulheres, às vezes por vários anos seguidos.  

Inacreditavelmente, a Anvisa pune irregularidades em garrafas de detergentes e outros produtos de limpeza, ação irregular com menor potencial de causar danos à saúde da população, mas legaliza a comercialização e implante cirúrgico, em larga escala, de pedaços de plástico (malhas e slings de polipropileno ou outros matérias sintéticos), capazes de causar danos incapacitantes permanentes e mortes em milhares de mulheres brasileiras e estrangeiras residentes no Brasil. Vários trabalhos baseados em cirurgias de explante completo ou parcial de malhasslings suburetrais de plástico usados em cirurgias ginecológicas mostra danos graves, imediatos ou tardios, como dor pélvica crônica incapacitante, sepse, hemorragia e morte.

Por que a Anvisa se preocupa com bactérias em detergentes, caso que não resultou até agora - de acordo com o que pude confirmar - em nenhum dano físico à saúde de qualquer brasileiro humano ou à saúde de um único gato, cachorro ou qualquer animal, mas legaliza a venda e implante de pedaços de plástico, reconhecidos internacionalmente como perigosos e potencialmente incapacitantes e mortais, nas vaginas e outros órgãos pélvicos das mulheres brasileiras, deixando agir impunemente as empresas multinacionais produtoras desses dispositivos e os médicos cirurgiões que, apesar de conhecerem os riscos inerentes aos implantes, proibidos total ou parcialmente em vários países, continuam, por ganância e certeza da impunidade, utilizando-os em cirurgia reconstrutiva pélvica, fazendo fortunas milionárias às custas da ignorância de suas próprias pacientes sobre as complicações, implantado em seus órgãos pélvicos um produto potencialmente danoso e mortal, que já destruiu as vidas de um número incalculável de mulheres ao redor do mundo. Uma estimativa feita em 2018 só para slings suburetrais apontava para o assombroso número de mais de 10 milhões de implantes em mulheres de todo o mundo, número que, com toda a probabilidade, foi subdimencionado, mesmo considerando apenas os slings suburetrais, considerados a cereja do bolo por cirurgiões e fabricantes, por se tratarem apenas de pequenos pedaços de fita de malha plástica barata introduzidas entre a uretra e vagina da paciente às cegas, através de técnicas cirúrgicas que assombrariam qualquer açougueiro durante o desmembramento de animais mortos ou médico veterinário, durante o manejo cirúrgico de animais vivos, o que, frequentemente, lesiona, já no intraoperatório, nervos, vasos sanguíneos e órgãos, sendo necessário, no pós-operatório imediato ou tardio, o seu explante cirúrgico, devido às graves complicações, que podem ocorrer, mesmo 17 anos após a cirurgia.

A morbidade atroz e permanente infligidas por esses implantes às mulheres geraram um tsunami de processos em vários países, movidos por vítimas cruelmente mutiladas, com sangramento vaginal e dor pélvica crônica resultante de lesões na uretra, vagina, útero, bexiga urinária, reto e outros tecidos moles, frequentemente incapacitantes, e infecções recorrentes, contra seus médicos e as empresas fabricantes, como a Johnson e Johnson (Ethicon), Boston Scientific e Coloplast, dentre outras. Apenas nos Estados Unidos, dados do ano de 2019 do sistema de justiça nacional apresentaram mais de 104.000 processos, com mais de 8 bilhões de dólares pagos às vítimas pelos fabricantes das malhas e slings, além de milhares de indenizações pagas através de acordos judiciais sigilosos feitos entre as vítimas e os fabricantes. 

Diante de todos esses dados, surge a pergunta incômoda: por que a Diretoria Colegiada da Anvisa, que alardeia para os quatros cantos a proibição da venda de detergentes contaminados, deixaria de proibir os implantes de plástico da Boston Scientific, Johnson e Johnson e Promedon, dentre outras, os quais estão destruindo os órgãos pélvicos e as vidas de milhares de mulheres brasileiras nos âmbitos erótico, reprodutivo, familiar, social, educacional e profissional, matando, com toda probabilidade, muitas delas, através de através de infecções, hemorragias e suicídio, uma tendência observada nas vítimas do holocausto provocado por esses implantes da dor e da morte em vários países. A proibição desses produtos cirúrgicos potencialmente danosos à saúde reprodutiva e global das mulheres brasileiras tiraria do limbo milhares de mulheres mutiladas, destruídas pela dor, infecções e sangramento vaginal crônico, resultantes das complicações pós-cirúrgicas. Daria voz a estas mulheres, que, no momento, encontram espaço para falar de suas dores e desespero apenas no pequeno espaço reservado a comentários em vídeos sobre cirurgias de slings e malhas, postados no YouTube ou em outras mídias por médicas e médicos ginecologistas e urologistas, ávidos por capitar e inserir novas pacientes neste campo de concentração sem muros, criado pela "inovação tecnológica" de nossos melhores pesquisadores das áreas de ginecologia, urologia, uroginecologia e coloproctologia, a partir do nefasto experimento realizado em 1987 na Austrália com 13 cadelas de rua pelos pesquisadores-falsificadores Peter E. Petros e Ulf Ülmsten, fundadores da Teoria Integral da Incontinência Urinária Feminina (TIIUF), seita médico-religiosa responsável por embasar "cientificamente" o implante permanente de plástico entre os órgãos pélvicos femininos, após os resultados obtidos em 13 fêmeas caninas, algumas sacrificadas entre 6 e 19 semanas após o implante, outras, 6 semanas após a remoção do plástico, totalizando um tempo de 25 semanas de estudo. De um experimento com cadelas de rua, esses autores partiram para as cobaias que os pesquisadores dos campos da ginecologia e urologia empregam preferencialmente em seus estudos (depois de fêmeas de roedores e cães): as mulheres em situação de vulnerabilidade educacional, social e financeira que se submetem, impelidas pela pobreza, ao atendimento médico "gratuito" em departamentos de ginecologia ou urologia de hospitais universitários de todo o mundo. Trinta mulheres australianas em situação de vulnerabilidade serviram como as primeiras cobaias humanas no primeiro trabalho de Petros e Ülmsten que "validou" no, meio acadêmico e empresarial, sua seita médico-religiosa, a qual conquistou milhões de sectários ao redor do mundo, atirando à lama a dignidade, ética e cientificidade da ginecologia e obstetrícia, da urologia, da uroginecologia, da coloproctologia e da fisioterapia pélvica (fisioterapeutas pélvicos de todo o mundo se calam diante do holocausto das malhas porque dependem do encaminhamento de pacientes por esses profissionais), o que levou os médicos dessas especialidades a transformarem, através das complicações intra e pós-operatórias desencadeadas pelo implante cirúrgico de pedados plástico, a incontinência urinária de esforço (IUE) feminina e o prolapso de órgãos pélvicos (POP), problemas disfuncionais do assoalho pélvico feminino, conhecidos desde os antigos egípcios como condições fisiopatológicas socialmente constrangedoras, mas geralmente indolores e inócuas, em uma síndrome terrivelmente incapacitante e potencialmente mortal, à qual me referi em meu livro (Carta a Gert Holstege, trabalho que tem como tema central aspectos neuroanatômicos e neurofisiógicos da resposta sexual feminina), de síndrome de Petros [síndrome de Petros-Ülmsten-EBS-FDA]), movido pela necessidade de nomear aquilo que muitas das vítimas, por ignorarem a história suja por trás desses implantes da dor e da morte, chamam coloquialmente de doença das malhas (mesh disease) ou síndrome da vagina mutilada (mutilated vagina syndrome). Embora se tratem dos principais responsáveis pelo holocausto das malhas, Petros e Ülmsten (morto em 2004) são venerados e bajulados como deuses supremos dentro da comunidade médica, pois descobriram a fórmula mágica de transformar plástico em ouro, o que trouxe imensas fortunas para os fabricantes e implantadores das malhas e slings ao redor do mundo, dando origem também a um subespecialidade médica completamente nova: a de cirurgia de explante do plástico implantado, procedimento considerado muito mais arriscado e complexo (e, por essas razões, infinitamente mais rentável para o cirurgião) do que a cirurgia de implante, devido à integração do pedaço de malha e slings, objetos altamente porosos, às paredes de vasos sanguíneos, nervos e órgãos pela encapsulamento fibroso da tela de plástico (fibrose periprotética), necessitando, na maioria das vezes, de várias cirurgias para retirar um único implante, como relatado por várias pacientes e médicos que não aderiram à seita medico-religiosa de Petros e Ülmsten, como os doutores Dyonisios Veronikis, Schlomo Raz e Donald R. Ostergard, dentre outros poucos médicos e médicas que não traíram as mulheres nem a medicina, os quais foram obrigados a criar, do zero, uma especialidade para uma doença grave e mortal que surgiu de repente, destruindo completamente as vidas de suas pacientes com sofrimento extremo e morte.                    

A mordaça conveniente da Anvisa: entre o risco bacteriano depositado dentro  de garrafas de detergente pela Ypê e os danos permanentes e mortes resultantes do depósito cirúrgico de pedaços de plástico da Johnson e Johnson, Boston Scientific, Coloplast e Promedon dentro da vagina, útero, uretra, bexiga urinária e intestino das mulheres brasileiras por seus médicos-algozes     


Qual o medo (ou interesse espúrio) que moveu os diretores da Anvisa nos últimos anos em relação ao esclarecimento da população feminina brasileira sobre os riscos das malhas e slings, as quais também atingem, embora em menor medida, a população masculina, uma vez que implantes de pedaços de polipropileno também são empregados em cirurgias de hérnias e incontinência urinária masculina, vitimando milhares de homens em várias partes do mundo e, com toda probabilidade, também em solo brasileiro. Será que uma ou mais empresas fabricantes das malhas e slings, temerosas em ter de pagar também para as milhares de vítimas brasileiras novas indenizações milionárias, além de perder novas “clientes” no mercado brasileiro, estão alimentando, por meio de suborno, a mordaça - aparentemente voluntária - da Anvisa? Se digitarmos as palavras-chaves “malha e sling” na caixa de buscas do site da Anvisa, o único “comunicado” disponível sobre as malhas e slings data do dia 15 de maio de 2019, intitulado: Evento Vai Debater a Efetividade Clínica de Implantes, o qual se refere a uma reunião que ocorreria no dia seguinte (16 de maio), com a participação de representantes da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e da Associação Médica Brasileira (AMB). Não há no site informações confirmando se a reunião aconteceu. Mas, estranhamente, há uma atualização do texto da matéria no dia 21/08/2025. Por que a única matéria disponível no site da Anvisa sobre as malhas e slings não falam das graves complicações pós-cirúrgicas e mortes causadas por esses implantes? Por que essa única matéria seria atualizada mais de 6 anos depois de sua publicação?

https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2019/evento-vai-debater-efetividade-clinica-de-implantes Acessado em: 17/05/2026, às 11:32

Como uma reunião em torno de um problema tão grave como as complicações decorrentes dos implantes não foi publicado com informações diretas sobre os riscos, nem repercutiu em nenhum veículo da imprensa (até onde pude constatar)? Qual a razão para que o único "comunicado" do único órgão regulador de produtos médicos no Brasil contenha apenas 16 linhas escritas, com a ausência calculada de palavras como "risco", "lesão incapacitante intra e pós-cirúrgica", hemorragia e "morte"? Desde 2008, os órgãos regulatórios internacionais  emitem alertas sobre os riscos das malhas e slings. Estamos em 2026. Em 18 anos, o único "alerta" da Anvisa disponível em seu site sobre esses implantes contém 16 linhas (média de menos de uma linha escrita por ano) e nenhum alerta às graves complicações decorrentes dessas materiais. As evidências massivas sobre as graves complicações pós-operatórias desencadeadas pelas malhas e slings datam de 1996, quando a Boston Scientific conseguiu o registro no FDA para o ProteGen Sling, sem apresentar nenhum estudo clínico que confirmasse sua segurança, o que causou graves complicações em milhares de pacientes, obrigando a empresa a recolher voluntariamente o produto do mercado em 1999.    

http://www.amiform.com/web/documents-risques-op-coelio-vagi/fda-notification-about-vaginal-mesh.pdf

De acordo com informações oficiais, a atual Diretoria Colegiada da Anvisa assumiu a gestão da agência recentemente, em 10 de setembro de 2025, o que, presumivelmente, a isenta da culpa em relação às atrocidades a que nossos melhores cirurgiões ginecologistas, urologistas, uroginecologistas e coloproctologistas têm submetido as mulheres brasileiras e estrangeiras residentes no Brasil, em parceria com as associações médicas locais e internacionais e grandes empresas fabricantes de produtos médicos. Se essa Diretoria Colegiada quiser, de fato, prestar um serviço de grande relevância ao povo brasileiro, deve proibir, imediatamente, todas as malhas e slings destinados à implantação em mulheres em solo brasileiro. Uma informação importante: essa Diretoria deve ignorar todos os argumentos oriundos de ginecologistas, urologistas, uroginecologistas e coloproctologistas contrários à proibição das malhas e slings por três razões óbvias: (1) todos ou quase todos os cirurgiões brasileiros que implantam slings e malhas para prolapso (muitos deles professores universitários, autores de trabalhos acadêmicos sobre a reação do plástico dentro da cavidade pélvica de mulheres brasileiras em situação de vulnerabilidade social, na maioria das vezes apoiados sub-repticiamente por fabricantes), têm no currículo dezenas, centenas ou mesmo milhares de cirurgias de implante de sling e/ou malhas de polipropileno, o que, obviamente, gera um enorme conflito de interesse, uma vez que a sua proibição daria visibilidade na imprensa não apenas à tragédia, mas, principalmente, às suas vítimas, mantidas até aqui amordaçadas e acorrentadas, atiradas às valas e círculos de um verdadeiro inferno dantesco pelos atores da Anvisa, comunidade médica e fabricantes dos implantes, o que desencadearia milhares de processos legais e investigações cíveis e/ou criminais contra os mesmos, como ocorrido em vários países); (2) além de interesses legais e reputacionais, todos os cirurgiões brasileiros têm interesses econômicos óbvios em continuar realizando os implantes de plástico, sobretudo os slings, os quais são baratos (não passam de pequenos pedaços de plástico), implantados através de "técnicas cirúrgicas" consideradas minimamente invasivas, podendo ser realizadas em consultório em menos de 30 minutos, rendendo para o cirurgião grandes somas em dinheiro, que, a depender da região, podem ultrapassar R$20,000,00 por procedimento na rede privada. O cálculo é perverso, mas lógico: um cirurgião hábil pode realizar mais de 100 implantes de slings suburetrais em um único mês: R$20.000 x 100 = R$2.000.000,00. De acordo com alguns trabalhos, as taxas de complicações intraoperatórias e pós-operatórias mediatas podem ser inferiores a 5%, sendo, geralmente, de fácil manejo, com a maioria das complicações mais graves ocorrendo no pós-operatório tardio, manifestando-se anos após a operação, em decorrência da degradação e encolhimento do material, causando dor, sangramento e infecção decorrente da extrusão do plástico e erosão das paredes dos órgãos afetados. Se, em um grupo de 100 pacientes, apenas cinco (5%) apresentarem complicações intra ou pós-cirúrgicas que demandem investimento no restabelecimento de sua saúde, ainda assim os gastos do cirurgião serão, na maioria das vezes, muito inferiores ao investido por cada paciente na cirurgia, o que torna o procedimento altamente rentável, mesmo diante de complicações. Ainda que complicações intraoperatórias e pós-operatórias causassem ao cirurgião custos que igualassem o valor investido por cada uma das cinco pacientes na cirurgia (R$20.000,00 x 5 = R$100,000,00), restar-lhe-iam de saldo R$1.900.000,00 (um milhão e novecentos mil reais), valor com o qual pagaria à equipe médica (frequentemente a secretária do próprio consultório), o plástico cirúrgico implantado e demais materiais baratos usados em uma cirurgias de sling para incontinência urinária feminina. Como as complicações mais graves são mais numerosas após um ano de implante, podendo aparecer mesmo depois de 15 anos, os riscos de perda financeira assumidos pelo cirurgião em processos indenizatórios acabam compensando, sobretudo em países como o Brasil, onde processos sobre lesão corporal médica, mesmo quando resultam em morte, costumam se arrastar por vários anos nas esferas civil e criminal, em detrimento das vítimas.

Desde de 2008 o Food and Drugs Administration (FDA) emitiu vários alertas à população americana após diversos relatos de complicações pós-operatórias graves, sobre o risco das malhas transvaginais para prolapso de órgãos pélvicos, proibindo a sua venda definitivamente em 2019. Austrália, Nova Zelândia, Inglaterra, Irlanda do Norte, Canadá e Dinamarca tomaram medidas similares.

Advogados representantes das pacientes vítimas das malhas e slings moveram milhares de processos contra os médicos responsáveis pelos implantes e fabricantes em vários países. De acordo com uma matéria de janeiro de 2019 do Washington Post, somente nos Estados Unidos, um levantamento nas bases de dados dos sistemas jurídicos de diversos estados identificou mais de 104 mil processos, como mencionado, a maioria aberta entre os anos de 2008 a 2019, o que sugere que esses números podem ter dobrado dentro dos últimos 7 anos, devido a exposição constante de casos de pacientes lesadas na imprensa e mídias sociais, através de grupos de suporte às vítimas, como o Sling the Mesh, criado pela jornalista britânica Kath Sansom para denunciar as atrocidades cometidas por médicos, agências regulatórias e fabricantes das malhas e slings após ter sua vida pessoal, familiar e profissional severamente danificada por um desses implantes de plástico.

Até onde ex-diretores da Anvisa podem ter lucrado por não proibir ou, pelo menos, não emitir alertas sobre os riscos das malhas e slings à população feminina? Isso pode ser respondido por uma investigação cuidadosa da Polícia Federal (PF), através da quebra de sigilo bancário e telemático de funcionários do órgão a partir de 2008, ano do primeiro comunicado do FDA sobre os graves danos causados por esses implantes, aos dias atuais, especialmente entre o período de 2017 e 2019, quando esta e outras agências regulatórias internacionais baniram malhas e slings de seus mercados. Com uma investigação séria e minuciosa, contatos extraoficiais entre executivos da Anvisa, autoridades médicas representantes de entidades das áreas de ginecologia e obstetrícia, urologia, uroginecologia, coloproctologia e representantes das empresas fabricantes poderiam identificar as evidências de irregularidades e/ou crimes. O não posicionamento da Anvisa, associado ao desinteresse da imprensa em investigar as vítimas brasileiras das malhas e a fatores como desinformação, transferência de culpa do médico para a vítima, através de frases repetidas como mantras: “A cirurgia falhou porque seus tecidos biológicos são ruins” (frase usada mesmo no pós-operatório tardio, quando a complicação ocorreu depois de vários anos), medo constrangimento das vítimas e gravidade de muitos casos, que as impossibilita de saírem da cama ou da cadeira de rodas, manteve esse escândalo abafado sob uma grossa camadas de gelo até aqui, o qual pretendo quebrar a golpes de martelo, ferramenta que costumo manejar com destreza, em minha carpintaria. 

Milhares de vítimas foram identificadas nos Estados Unidos, mais de 104 mil delas através de processos abertos só até o ano de 2019. Qual seria a dimensão do holocausto das malhas vaginais e slings suburetrais no Brasil? Para chegarmos a um número aproximado, devemos levar em consideração vários fatores demográficos e epidemiológicos sobre a população feminina brasileira, como números de mulheres em idade reprodutiva que já gestaram, mas sofreram aborto antes do parto, número de primíparas e multíparas, tipo de parto, número de mulheres no climatério e pós-menopausa, etc, fatores que aumentam as chances de necessidade de abordagem cirúrgica para incontinência urinária de esforço (IUE) feminina e prolapso de órgãos pélvicos (POP), os quais estão sendo preparados para uma trabalho futuro, mais amplo. Mas uma estimativa pode ser feita baseada no numero geral de nossa população feminina, estimada em mais de 104,5 milhões no último senso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e (só para citar as principais [mas não únicas]) especialidades envolvidas no implante de malhas e slings em mulheres) o número de ginecologistas (cerca de 38.000), urologistas (cerca de 6.000), uroginecologistas e coloproctologistas (cerca de 2.500) atuando no país e tempo da introdução das malhas na cirurgia ginecológica brasileira (mais de 34 anos [Palma PCR, Ikari O, D'Ancona CAL, Netto Jr.: Synthetic pubovaginal sling for treatment of stress urinary incontinence. J Bras Urol. 1992; 18: 202-4.]) e a quantidade considerável de trabalhos assinados por urologistas e ginecologistas brasileiros sobre as malhas e slings, publicados em vários periódicos. Abaixo, links para apenas alguns dos relatórios que ajudaram a introduzir as malhas e slings entre os órgãos pélvicos das mulheres brasileiras: 

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15748373/ (ano: 2002)



https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19936588/ (ano: 2010)

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23644813/ (ano: 2013)

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25199496/ (ano: 2015)

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30286580/ (ano: 2018)

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30735341/ (ano: 2019)

Baseado nos números demográficos da população feminina e da população médica apta para realizar o implante de pedaços de polipropileno, sobretudo os slings para incontinência urinária, introduzidos entre a uretra e vagina através de instrumentos e técnica medieval, levando em consideração os 34 anos da introdução do plástico (polipropileno) em cirurgia ginecológica no Brasil e a grande quantidade de empresas fabricantes que despejaram nos últimos anos boa parte de sua produção no mercado brasileiro, não seria um exagero uma estimativa de 1 milhão de procedimentos dessa natureza terem sido realizados por aqui nos últimos 34 anos, o que daria uma média de 30.000 procedimentos por ano, incluindo slings e malhas para prolapso. Atualmente temos uma população médica com cerca de 46.500 profissionais "aptos" para realizar esse tipo de procedimento, o que daria uma média de 0,64 implante por ano para cada médico. Logicamente, nem todo médico se torna cirurgião, mas a forma com que a indústria e os acadêmicos responsáveis por "validar" o implante de um pedaço de plástico (sling para incontinência urinária) entre a uretra e a vagina das mulheres foi tão irresistível,  através da isca da "cirurgia minimamente invasiva", com o mínimo de custo para o cirurgião, que poucos urologistas ou ginecologistas e mesmo médicos residentes (ilegalmente) não sucumbiram à tentação de realizar em 30 minutos, dentro de uma sala comercial qualquer, uma "cirurgia" que poderia lhe render o dinheiro de um mês ou mais de consultas.    

O número de 1 milhão de implantes cirúrgicos de malhas e slings em 34 anos, em uma população de 104,5 milhões de mulheres parece grande, mas apenas a Alemanha, com uma população com cerca de 42,5 milhões de mulheres, registrou em 15 anos (2006-2021) 1.150,811 procedimentos envolvendo a implantação de malhas transvaginais e cirurgias reconstrutivas com reparos realizados com tecidos nativos (da própria paciente) para prolapso de órgãos pélvicos, procedimentos mais demorados e complexos do que cirurgias de slings. Apresentar um número exato de mulheres mortas em decorrência de complicações intra ou pós-operatórias, de mulheres que receberam o implante e morreram por causas não relacionadas, sem nunca ter desenvolvido qualquer complicação (complicações pós-operatórias tardias podem ocorrer até mais de 17 anos após o procedimento), é uma tarefa muito difícil de ser realizada, coisa que pode ser compensada pela identificação de vítimas vivas, sintomáticas ou assintomáticas, através da convocação destas através dos veículos de comunicação. Como ponto de partida, um estudo sobre prolapso de órgãos pélvicos de 2005 constatou que cerca de 30% das cirurgias para a correção dessas distopias são reoperações, o que significa um grande número de falhas na primeira cirurgia. Embora as cirurgias de malhas e slings sejam descritas na literatura pelos autores da "zona de spin" da cirurgia reconstrutiva pélvica (falsificadores contumazes de dados, como foi provado através da condenação de Peter E. Petros, ginecologista-obstetra e sumo sacerdote desses charlatães, e pelos 104 mil processos movidos contra muitos deles, só nos Estados Unidos) como altamente "eficazes e seguras", qualquer pesquisador sério da área de cirurgia reconstrutiva pélvica consideraria, que dentro de uma população de 1 milhão de mulheres operadas em 34 anos, pelo menos 200 mil delas se encontrem sintomáticas nesse momento, devastadas pelas complicações pós-operatórias tardias, agravadas pelo envelhecimento.     

Obviamente, é necessário que a Anvisa assuma seu papel fiscalizador e deixe de delegar a regulação de material cirúrgico e medicamentos aos órgãos regulatórios internacionais. A corrupção do sistema 510 (k) do FDA permitiu a introdução legal, em solo brasileiro, de implantes cirúrgicos oriundos de um teste em um grupo de 13 cadelas de rua australianas, que se estendeu para 30 mulheres australianas em situação de vulnerabilidade social, vítimas da corrupção dos ginecologistas-obstetras Peter E. Petros e Ulf Ülmsten. Várias agências regulatórias internacionais fizeram o mesmo, o que criou até aqui a maior síndrome iatrogênica da história da medicina, levando ginecologistas, urologistas e coloproctologistas a transformarem o tratamento da incontinência urinária de esforço (IUE) feminina e do prolapso de órgãos pélvicos, fenômenos fisiopatológicos constrangedores, mas geralmente indolores e que não oferecem risco de morte, em uma terrível e dolorosa doença incapacitante e potencialmente mortal, a qual nomeei, através de uma breve menção em meu livro (Carta a Gert Holstege, o qual não tem como tema principal as malhas), como síndrome de Petros-Ülmsten-EBS-FDA (SPU-EBS-FDA), onde, talvez, pela primeira vez, uma síndrome foi nomeada com nomes que representam pessoas (Peter E. Petros e Ulf Ülmsten, os quais adotaram a falsificação de dados de pesquisa e spin como lema, escondendo complicações pós-cirúrgicas graves de suas vítimas, para favorecer seus interesses financeiros na venda e implantação das malhas, responsáveis pela base haplocientífica ("meio-científica", o que, por mesclar resultados científicos com resultados falsificados, a torna mais danosa do que abordagens pseudocientíficas), a qual deu suporte ao emprego das malhas e slings em escala global), empresas (Ethicon e Boston Scientific, principais empresas responsáveis pela consolidação, produção e distribuição, em larga escala, das malhas e slings) e FDA (Food and Drug Administration, órgão regulatório americano, responsável por aprovar, ao longo de vários anos, dezenas de modelos diferentes de implantes sem qualquer validação de estudos clínicos.

Baseado em todos esses dados, solicito à essa Diretoria Colegiada a proibição imediata da comercialização e do emprego de malhas e slings de plástico (polipropileno ou qualquer outro polímero sintético ou natural). Além disso, solicito às autoridades competentes que convoquem, através dos meios de comunicação, todas as mulheres brasileiras e estrangeiras, sintomáticas ou assintomáticas, que foram submetidas a implantes de malhas e slings de polipropileno em território brasileiro, para que seja prestada a devida assistência. Solicito a criação de um grupo investigativo especial para localizar os familiares de mulheres mortas em decorrência das complicações cirúrgicas provocadas por esses implantes, seja diretamente, através de sepse ou hemorragia, ou indiretamente, através de suicídio, provocado pela tortura física degradante, infligida por esses dispositivos, de forma ininterrupta, perfurando seus úteros, vaginas, bexigas urinárias, uretra, intestino, nervos, vasos sanguíneos e tecidos ósseos, musculares e fasciais, e pela tortura psicológica de assistir, de uma cama ou cadeira de rodas, a destruição de sua vida, família e sonhos. Antes de terem suas vidas destruídas pelos implantes, muitas dessas mulheres eram provedoras de suas próprias famílias, deixando para trás, entregues à própria sorte, filhos e genitores idosos, a quem ofereciam amor e abrigo. Os órfãos das vítimas desses implantes precisam ser ouvidos e indenizados. Obviamente, dinheiro nenhum trará nenhuma dessas mães de volta à vida. 
 
Os cirurgiões responsáveis pelos implantes de malhas e slings de plástico entre os órgãos pélvicos das mulheres brasileiras e as empresas responsáveis pela produção do lixo cirúrgico que desencadeou essa tragédia devem ser identificados e levados à justiça para arcarem com as despesas médicas e devidas indenizações, além de responderem, na medida de sua culpabilidade, por seus atos.

O Código Penal Brasileiro poderá ser utilíssimo na maioria dos casos. Em seu artigo 18, onde nos é apresentado sua definição conceitual sobre crime, ele dispõe: "I - crime doloso: quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo". A pergunta é: será que algum médico brasileiro, após vários anos de registros na literatura científica e regulatória internacional sobre as graves complicações decorrentes dos implantes de polipropileno poderia dizer que não assumiu o risco de destruir para sempre as vidas de suas pacientes, ao realizar os implantes? Ou ainda: será que algum médico ginecologista ou urologista brasileiro, após 6 anos de estudos na faculdade de medicina mais 3 anos de residência em um hospital universitário, requisitos básicos para a sua formação profissional, seria incapaz de prever o resultado da implantação de um pedaço cortante de plástico entre órgãos formados por tecidos moles, em uma região úmida e quente, constantemente submetida ao estresse mecânico provocado pela respiração e todas as outras atividades motoras que dependem da variação das pressões subglótica, intratorácica e intra-abdominopélvica, como a tosse, rizada, fala, canto, exercício, mudança postural, equilíbrio, micção, defecação, atividade sexual, parto vaginal, dentre outras? Se a resposta for positiva, esse médico deve ser eximido de sua culpa, mas banido da medicina para sempre, porque sua ignorância e estupidez, sua incapacidade de prever os resultados que o atrito constante entre tecidos biológicos moles e um pedaço de plástico cortante, macroporoso, soldado às estruturas viscerais adjacentes pela ação intensa de macrófagos e fibroblastos produziria o torna uma máquina ambulante para a produção de lesão corporal e morte.              

Sinceramente,

Ivo Sotn.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Algumas Coisas Permanecem Vivas e Vitais em Minha Alma. E Dessas Coisas, Junto ao Obscuro e ao Tenebroso, Pintei o meu Retrato.

Sentença Final do Tribunal Federal contra Ivo Sotn.



No último dia 5, recebi a visita de Roberto, oficial da Justiça Federal do Brasil. Ele me trazia uma intimação, cujo conteúdo afirma a extinção de minha punibilidade referente ao processo criminal de que fui alvo nos últimos 5 anos, processo este adquirido no curso do exercício de minha profissão jornalística, cujas audiências gravadas podem ser vistas AQUI e AQUI. A parte ofendida se chama Leandro Bastos Nunes, procurador da República.
A coroação de um trabalho de 6 anos à frente do MESS, conduzindo a mais relevante investigação científica da história da terapia celular mundial, a descoberta e denúncia perante o Tribunal Penal Internacional contra, organização criminosa operada por altos agentes estatais do Ministério da Saúde do Brasil, a Máfia do Transplante de Medula Óssea: uma condenação em um tribunal federal a 8 meses de prisão, comutada para uma multa pecuniária e depois, a liberdade, em razão da extinção de minha punibilidade. Ao longo de 5 anos medi forças com os principais órgãos da justiça federal do Brasil: Ministério Público  Federal, Defensoria Pública da União e Tribunal Federal. Tentaram, legalmente, usando a casuística dentro das regras do jogo comandado por eles, me forçar a aceitar uma mentira: a aceitação de acordos pela suspenção de um processo criminal que descaracterizaria tudo o que fizemos de grande e verdadeiro à frente do MESS, cujos resultados - os números estão aí para comprovar - resultaram num aumento exponencial do número de transplante de células-tronco hematopoiéticas (medula óssea) e aumento do número de doadores voluntários de medula óssea cadastrados anualmente no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME). Nossas ações à frente do MESS salvaram centenas de vidas até aqui e continuarão salvando ao longo das décadas que se seguirão, uma vez que cada doador voluntário de medula óssea cadastrado por conta de termos, ao denunciar a inconstitucionalidade da Portaria Ministerial número 844/2012, forçado o governo, no ano seguinte, a aumentar o número de cotas cadastrais estabelecido pela portaria 844 de 267.190 para 400.000 com a portaria número 2.132/2013 (Portaria N. 2.132/Ministério da Saúde), fruto de nossa denúncia perante a comunidade científica internacional e Tribunal Penal Internacional, será uma esperança a mais para todos aqueles que vierem a ter indicação para transplante de medula óssea no futuro.

Às meninas e meninos do Tribunal Federal, Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União, nosso muito obrigado! Como jornalista científico, ser condenado a 8 meses de prisão em razão de um processo adquirido no curso de uma investigação com os contornos colossais que culminaram com a denúncia contra a Máfia do Transplante de Medula Óssea constitui, para um jornalista sério, como eu, a mais alta honraria que se poderia almejar num país onde as instituições investigativas e judiciárias estão entrelaçadas pelas correntes da corrupção de uma forma tão abjetamente estreita que já não se pode definir onde uma começa e a outra termina, como o The Intercept vem mostrando, com um Ministério Público Federal corrupta e descaradamente usado como instrumento partidário.  Certamente farei com minhas próprias mãos uma moldura pomposa para esta sentença e a colocarei no lugar mais vistoso de meu escritório, com o fim de entreter nossas visitas. Enquanto escrevo, olho pro passado. Orwell costumava dizer: "Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade." Levando em consideração a origem deste processo e o teor da sentença, parece que fui um bom jornalista, publicando um bocado de coisas comprometedoras para muitas pessoas "importantes" de nosso Estado Suinocrático Brasileiro, nossa democracia de porcos - sem querer ofender os suínos.

Muito feliz e orgulhoso de minha família: minha Herlene e meu Anthony, que estiveram firmes, serenos e amorosos comigo ao longo de cada um destes cerca de 2.000 dias de tempestade. Herlene, Anthony, vencemos!!! Eles pensaram que iam usar o gigantismo do Estado para nos amedrontar e esmagar. Perderam feio. Não acreditaram que minha família é maior do que qualquer Estado, principalmente se o Estado em questão não passar de uma republiqueta macunaimicamente erigida e estruturada, governada por suínos.

Amo vocês dois para além do bem e do mal!!!



segunda-feira, 17 de abril de 2017

Conversa com Leandro Bastos Nunes, Procurador da República


Estes prints são de algumas mensagens que troquei com o Procurador da República, Leandro Bastos Nunes. Sei que a publicação deles poderá nos trazer mais danos. Não sei que tipo de surpresa nos espera amanhã, no Hospital de Custódia e Tratamento do Estado da Bahia. Minha intenção em publicar estas mensagens é bem clara: trazer a verdade, através destas mensagens que foram trocadas por nós dois, ao conhecimento do público. Não podemos acrescentar mais mentiras e covardias a uma sociedade tão cheia de mentiras e tão covarde. Abandonados por nossos amigos e por nossa própria família, amanhã eu, Herlene e Anthony nos dirigiremos ao Hospital de Tratamento e Custódia do Estado da Bahia, onde só Deus sabe qual será a natureza do novo capítulo desta "pitoresca" história. É um tanto quanto (tragi) cômico toda esta perseguição e abandono, horas após lembrança mundial da perseguição, julgamento e crucificação de Cristo. A maior parte dos fariseus que se calam agora caíra em prantos diante de missas, cultos e filmes sobre a Paixão de Cristo: "Que covardia fizeram com Jesus!!! E todo o seu povo, familiares e apóstolos calados!!! A se eu vivesse nesta época!!!" É o que dizem os hipócritas, sem se aperceberem que Cristo é posto na cruz a cada omissão, a cada silêncio diante de uma agressão, de uma covardia, de um crime. Eu e minha Herlene denunciamos para o mundo um crime de dimensões continentais praticado por agentes estatais contra crianças portadoras de leucemia e demais cânceres passíveis de transplante de medula óssea. Pela vida de inocentes, enfrentamos todo um império criminoso, sozinhos. Salvamos muitas vidas com nossas ações. E olha que nunca tive uma religião, nunca me curvei, como um hipócrita, com semblante dissimuladamente constrito, diante de nenhum altar Não sou nenhum homem santo - na verdade, estou a milhas da salvação - mas é gostoso saber que se caso Cristo um dia voltar, não encontrará nem a mim, nem minha Herlene, nem o nosso Anthony perdidos entre os novos fariseus. Amanhã, nos três seremos obrigados a sair de nossa rotina de trabalho, em nossa cidade, Camaçari, para nos colocarmos à disposição do Estado Brasileiro. Partiremos fortes, serenos, unidos e apaixonados.
Nunca subestimem o poder do trabalho e do amor!!!

Link para os prints: 

https://www.facebook.com/ivo.sotn/media_set?set=a.801432610010511.1073741867.100004313373197&type=3&pnref=story 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

CONTEÚDO DA CONVERSA, VIA FACEBOOK, QUE TIVE COM O PROCURADOR DA REPÚBLICA, DR. LEANDRO BASTOS NUNES, HOJE PELA MANHÃ.


SE VOCÊ QUISER ASSISTIR AO VÍDEO MOTIVADOR DA PERSEGUIÇÃO POLÍTICA, CLIQUE EM: GRAVAÇÃO TELEFÔNICA: GOVERNO DILMA ROUSSEFF IMPLICADO NA MÁFIA DO TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA

CONTEÚDO DA CONVERSA, VIA FACEBOOK, QUE TIVE COM O PROCURADOR DA REPÚBLICA, DR. LEANDRO BASTOS NUNES, HOJE PELA MANHÃ.
ELE DENUNCIOU-ME AO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL POR CALÚNIA E DIFAMAÇÃO, EM RAZÃO DE UMA MATÉRIA PRECIPITADA QUE PUBLIQUEI EM MEU BLOG JORNALÍSTICO, O "GENOMA BRASIL". CONVERSAMOS EXTRAOFICIALMENTE E CHEGAMOS A UMA CONCLUSÃO: EU O ACUSEI INJUSTAMENTE. ESCREVI-LHE UMA CARTA ABERTA, PUBLICADA NO PRÓPRIO "GENOMA BRASIL", PEDINDO-LHE DESCULPAS E ESCLARECENDO POSSÍVEIS PONTOS NEBULOSOS QUE CONVERGIRAM PARA MEU POSSÍVEL ERRO. ELE PETICIONOU, SEGUNDO COMUNICOU-ME, À JUSTIÇA FEDERAL, PEDINDO A SUSPENSÃO DO PROCESSO. SE A PRÓPRIA PESSOA QUE SE SENTIU OFENDIDA JÁ DEMONSTROU INTERESSE EM ESQUECER ESTA HISTÓRIA TODA, NÃO CONSIGO IMAGINAR OUTRA RAZÃO PARA A MANUTENÇÃO DE TUDO ISSO: PO-LÍ-TI-CA.
Ivo Sotn:
- Qual a razão disso, Leandro? Eu não estou entendendo. Você me disse que peticionaria pedindo a suspensão do feito.
(cópias da intimação)
Cara, o que estão fazendo é perseguição política, o MPF está sendo usado politicamente para atacar a mim, minha Herlene e nosso filhinho. Você disse que sd dava por satisfeito com minha retratação através de minha carta, porque tudo isso não cessou?
Leandro Bastos Nunes:
Caro Ivo , embora tenha peticionado , o andamento do processo está a cargo do Juiz ( as decisões), e do procurador responsável pela ação penal . Da minha parte , como expliquei , não tenho mais interesse no prosseguimento do feito , mas minha manifestação não vincula o juiz nem o procurado que oficia na ação penal . Vou procurar saber com o colega que está c ação , o que está havendo , ok ?
Ivo Sotn:
Por favor, Leandro, faça isso. Por mais que minha desilusão em relação às nossas instituições não seja contornável, eu ainda acredito, lá no fundo, que raríssimos indivíduos ligados a tais instituições possam fazer algo diferente daquilo que é a regra.
Leandro Bastos Nunes:
Vou procurar o colega, mas além do colega , o próprio juiz tem que decidir , entende ? Mas qto ao colega , explicarei a situação e retorno a vc c notícias .
Ivo Sotn:
Por favor, faça isso.









domingo, 16 de outubro de 2016

Dos Diálogos que Estabelecemos com o Passado



Era um dia de verão. O ano, 2005. Dois casais de intelectuais alemães ligados ao Goethe Institute haviam cruzado o Atlântico para conhecer um jovem escritor com cuja obra tiveram contato através de uma amiga germano-brasileira que tinham em comum, a qual, após ler trechos de duas obras em gestação, intituladas PARVOLÂNDIA CONVULSIONADA e AS CARTAS TROCADAS ENTRE ADOLF HITLER, O CORONÉ E O DIABO, havia se convencido de que estava diante de um achado invulgar. A intuição desta menina a levou a traduzir trechos destes dois trabalhos para o russo, alemão e inglês,  enviando-os para várias instituições globais ligadas à cultura. O encontro foi marcado em uma das barracas da Praia de Piatã, na orla marítima de Salvador. Os estudiosos, dois dos  quais com formação em Literatura Alemã, esperavam conhecer o dono da obra que tanto os havia intrigado, ao brincar com um componente completamente extinto na Literatura Ocidental, mas que, por muito tempo, a brindou com nomes como Dante, Cervantes, Voltaire, Kafka e Swift: a sátira. O "sátiro" em questão era esse moço da foto: Ivo Sotn - eu mesmo. Um jovem que trouxe consigo um sentimento inato sobre as coisas do espírito e, por esta razão, a ideia de que a "cultura"   produzida para agradar as massas (formadas por pessoas rasas) tem sempre o objetivo de fazer do espectro a própria essência; neste caso, para agradar a demanda do consumo por coisas cada vez mais baratas e acessíveis ao grande público, um espantalho tosco e vulgar é preenchido com os mais pobres farrapos e posto no lugar da estátua nobre e imponente da deusa Literatura. Desta forma, a sátira, como tantas outras formas humanas de transcender a mediocridade, foi banida de nossa "cultura" e a Literatura - não apenas em razão deste banimento - violentada, aviltada e tornada sem brilho e ridícula. É o preço que se paga quando se confunde UTILIDADE com CULTURA. Esse sentimento juvenil e indomável, que até os dias atuais arde em meu peito e resiste a todas as formas de aviltamento da individualidade e da essência, encontrou eco em muitas das ideias de Nietzsche sobre este assunto. Para mim, não  apenas a Literatura, mas todas as mais genuínas expressões da alma humana devem estar acima de qualquer concessão ou adequação aos gostos da maioria. Só desta maneira alguém pode ser livre.
Foi muito curioso e divertido o nosso encontro. Os quatro estrangeiros haviam construído, de acordo com a análise em meus escritos, uma figura completamente diversa da que encontraram. Acreditavam que encontrariam um ser de aspecto um tanto mórbido: pálido, com olheiras e ar de quem costuma perder noites se dilacerando diante das questões humanas. Lembro clara e particularmente da expressão que a Johanna, a primeira do grupo a me avistar, em razão da posição de sua cadeira na areia da praia, fez, quando a Mikaela, minha amiga e intérprete, me saudou, sorrindo:
- Ivo!
Eu estava de sunga, molhado por conta de meu mergulho habitual de saudação à uma das filhas mais belas da Mãe Natureza: a Mar (penso "no" mar sempre no feminino, com seu perfume, sua grandeza, sua beleza, seus mistérios, sua força, na verdade, a Mar se tornou um substantivo masculino, com um deus masculino como seu guardião (Poseidon/Netuno) de acordo com as mitologias greco-romanas, porque foi o gênero "masculino", com sua mania de amar, santificar e eternizar a imagem do homem e do falo em todas as coisas, que, submisso a este amor, nomeou todas as coisas - vide, como exemplo, a palavra orquídea, que se refere a um lindo grupo de plantas cujas flores, em tudo, remetem à mulher, seja por sua delicadeza, seja pela beleza ou pelo fato de suas flores lembrarem nitidamente a vulva feminina.
Orquídea é uma palavra grega e, por incrível que pareça, quer dizer testículos, isso por conta dos dois tubérculos encontrados nas espécies do gênero orchis, que lembram esta parte do corpo masculino. Detalhe: tubérculos são órgãos para a reserva de energia que algumas plantas desenvolvem, se situam sob a terra e constituem uma das partes mais rústicas da planta e menos atrativa, em relação às flores. Como tendemos a buscar e a projetar mas coisas aquilo que amamos e com que nos identificamos, os cientistas olharam a orquídea das raízes às flores e procuraram algo sobressalente com que pudessem nomeá-la: ignoraram a beleza vulvar de suas flores e viram um par de testículos, mesmo que enrugados e sujos de terra, com suas raízes pendentes...).
A Johanna sorriu pra mim e falou com a Mikaela, em alemão, algo do tipo:
- Deixe de gracinhas, Mikaela, ele é um surfista ou algo parecido. Onde está o Ivo Sotn que procuramos?
Mikaela traduziu essa recepção e nós dois rimos muito. Eles também riram, só que como se tivessem desconfortáveis por terem cometido uma gafe. Cumprimentei a todos e tomei meu lugar à mesa. Na medida em que começamos a conversar, eles falando em alemão, eu em português e a Mikaela literalmente pressionada entre dois idiomas, fazia suas acrobacias verbais, tentando repassar  o mais fielmente possível a essência de cada pergunta e de cada resposta.
Enquanto Mikaela foi traduzindo minhas motivações para a criação de Parvolândia, uma expressão iluminada de muito interesse tomou os rostos de todos. Quando eu disse que Parvolândia traduzia-se, literalmente, por "Terra dos Parvos", todos riram bastante.
Esta foto é desta época, não necessariamente deste dia, mas desta época tão especial em minha vida, onde grande parte de meu tempo era consumido à beira mar, na praia, trabalhando em meu notebook como ghost writer, na Praia do Flamengo, em Salvador, ou na Cabana NEFERTITE, de minha irmã, que ficava ao lado da cabana NO STRESS, do amigo Luca, na Praia de Piatã. Lá, oferecíamos para clientes de todas as partes do Brasil e do mundo deliciosas iguarias à base de frutos do mar e incríveis drinks tropicais. Era interessante interagir com pessoas, especialmente mulheres - para mim - de diversas partes do mundo. 
Daquela conversa entre intelectuais estrangeiros surgiu uma bolsa de estudos informal, que consistia em eu me mudar para Dortmund ou Leipzig, na Alemanha, para estudar literatura alemã, através do idioma alemão, que eu aprenderia. A ideia era me colocar, depois de familiarizado com o clima e a cultura, no Goethe Institute. Fazia parte da proposta uma casa para morar em Bergisch GladBach (caso eu optasse por Dortmund) e um trabalho de meio período ligado ao Ministério da Cultura alemão, com o qual eu me manteria. Optei por Dortmund em razão de sua proximidade geográfica com vários países europeus, como Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Suíça. Seria bem interessante viajar nos fins de semana entre estes países... até que uma tempestade se aproximou...
Por muito tempo foi difícil conviver com a ideia de que o Estado brasileiro transformou meu sonho num pesadelo. Mas eu precisava continuar caminhando, sozinho, em meio a selva obscura... Encontrei ao longo desta caminhada alguém muito, muito, muito especial: minha Herlene. Com ela iniciei uma nova guerra contra as violações de nosso Estado Suinocrata. Com ela derrubei uma Portaria Ministerial. Com ela fiz o Estado ajoelhar-se diante de um trabalho seríssimo, com ela, sofri uma grande perseguição, com ela iniciei uma nova história, com ela, tive meu Anthony, nosso solzinho particular, que tem nos iluminado e dado tanta alegria, com ela, luto por nossa família. A vida é mesmo estranha. Foi preciso que o mundo desabasse sobre mim para que eu conhecesse a pessoa mais importante de toda a minha vida e realizasse um dos trabalhos mais notórios no complexo mundo científico das células-tronco hematopoiéticas, um trabalho cuja excelência transpôs os limites de diversas ciências. Quantos jornalistas, advogados, promotores, procuradores e pesquisadores do campo da hematologia podem exibir um trabalho assim https://m.youtube.com/watch?v=6EqQu6F-mp8 ???


Eu posso e isso foi graças ao conhecimento que precisei acumular para sair dos escombros de tragédias que se abateram sobre mim depois daquele dia feliz e auspicioso, passado entre intelectuais, à beira mar. Depois daquele dia, fui sequestrado, roubado e torturado por policiais militares, que se interessaram muito ao me abordarem aleatoriamente e descobrirem que eu tinha em meu poder a quantia de 1.200 euros - dinheiro vindo da Alemanha para que eu cuidasse dos preparativos para a minha viagem. Reagi com um soco às agressões físicas e verbais de um dos policiais, o qual caiu, ao receber de minha pessoa um belo soco no queixo. Não foi uma boa ideia, pois eram três e eles estavam armados. E eram policiais brasileiros...
Tive que conviver com o diagnóstico doloroso da leucemia de Evelyn... Lutei, tentando salvá-la e concertar as coisas. A via escolhida não foi das melhores: o sequestro de uma pessoa inocente e a tentativa de obter, através dele, a transferência de nossa Evelyn para o hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, além da recuperação de meu dinheiro e bens roubados pela polícia. Foi um dia terrível e muito difícil para mim, pois sempre fui um amante das mulheres, do ser feminino e das liberdades individuais. Fazer aquilo foi uma agressão perpetrada contra vítima, sua família e contra mim mesmo. Foi doloroso agir daquela maneira com uma representante do ser que sempre amei, respeitei e defendi, o ser feminino. Naquele dia os planos eram sequestrar um ônibus, libertar todas as mulheres, crianças e idosos e atravessá-lo na Avenida Octávio Mangabeira, para parar a cidade de Salvador. Era um dia muito quente e abafado, com muitos policiais na rua, o que poderia precipitar um confronto letal para mim, uma vez que minha arma se tratava apenas de um simulacro, sem qualquer poder de fogo. Quando entrei na Clínica Ser, onde tomei a refém, minha ideia era só sentar na sala de espera, no andar superior, e pensar melhor as circunstâncias. Foi quando ela (a refém) entrou. Trocamos alguns olhares, depois algumas palavras. Trocamos telefones. Ela e a amiga que a acompanhava foram chamadas pelo médico. Enquanto eu permanecia na sala de espera, fui tomado por uma tristeza profunda, pois estava a um passo de cometer a maior loucura de minha vida, de onde só sairia preso ou morto, e deixaria para sempre o mundo e tudo o que eu mais amava nele: sol, natureza selvagem, artes, a Mar e aquilo que havia constituído até ali a minha maior razão de ser: as mulheres... Foi tomado por este pensamento que decidi fazer daquela menina minha refém. Ela era uma mulher muito atraente e havia se sentido atraída por mim no  momento mais crítico de minha vida até então. Eu sabia que seria muito difícil para ela toda aquela situação, mas fui egoísta e desejei passar aqueles que poderiam ser os últimos momentos de minha vida na presença do ser que mais amei e com quem sempre me mantive em comunhão: o ser feminino. Enquanto pensava assim, prometi a mim mesmo que daria o melhor e o pior de mim para que, ao final da ação, ela voltasse para casa. Foi assim que tudo aconteceu...
É impossível olhar para esta foto e não ter todo esse filme passando em minha mente. É um dos filmes que constituem minha vida, minha essência... Por muito tempo o evitei e até tentei apagá-lo, hoje, ao  revê-lo, me parece muito distante, como se tivesse acontecido em um livro ou produzido num estúdio. Certa vez a Clarice Lispector escreveu que cortar os próprios erros era uma tarefa muito perigosa, pois talvez fosse justamente um erro a coluna responsável pela sustentação de todo o edifício...

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Da Decisão Absurda do Juiz Federal Antônio Oswaldo Scarpa

Página N° 11 de minha resposta judicial, onde se pode comprovar, através de Ata registrada por tabelião a partir de cópias registradas em minha conta de e-mail, que realmente enviei os e-mails denunciatórios ao senhor procurador da República, Leandro Bastos Nunes. Em qualquer tribunal do mundo, apenas a apresentação desta prova seria suficiente para provar minha inocência e por fim ao processo.  



Dias atrás, cometi um erro – um dos poucos cometidos nesta denúncia – ao afirmar que 8 folhas de minha resposta judicial à Juíza substituta da Décima Sétima Vara Federal Criminal Especializada haviam sido suprimidas. O que aconteceu foi que, ao receber a oficial da justiça federal com uma intimação para Herlene (video aqui: https://www.youtube.com/watch?v=uaqFCH4-7jI), com a decisão do juiz Antônio Oswaldo Scarpa, o qual baseou sua decisão absurda de suspeita de insanidade mental nos relatos do Defensor Público da União Fábio Calmon de Amorim, que simplesmente resolveu jogar contra mim, seu “defendido” e no seu próprio exame dos documentos apresentados àquela corte, eu simplesmente não acreditei que o juiz tivesse tido acesso aos documentos apresentados por mim como resposta à acusação, acreditei que nossos perseguidores estatais tivessem corrompido o teor de minha resposta judicial (vide a conduta de funcionários estatais para conosco aqui: https://www.youtube.com/watch?v=oHRe64-c_es). O que aconteceu, para eu chegar a esta suspeita, foi simplesmente o fato de não acreditar que o juiz pudesse chegar a uma decisão desfavorável baseado nos documentos de minha resposta, pois a mesma apresentava as provas irrefutáveis de que eu realmente havia enviado os e-mails denunciatórios ao procurador da República, Leandro Bastos Nunes, a saber, cópias destes e-mails, duas das quais reproduzidas em Ata Notarial.


Como cheguei ao erro de que 8 folhas haviam sido suprimidas. Ao apresentar minha resposta judicial ao tribunal (documentos aqui) apresentei, como é exigido, as folhas originais, ou seja, todas as folhas impressas a partir do que imprimi direto da impressora. Como para cada página impressa uma folha foi utilizada, todos os documentos constantes contabilizariam 63 folhas (uma página por folha). O problema é que nem todas as folhas foram impressas por mim. Minha Ata Notarial, que comprova em 16 páginas o conteúdo de e-mails enviados ao procurador da República, Leandro Bastos Nunes (às folhas 11 e 24 de minha resposta judicial) foi impressa pelo tabelião em 8 folhas, frente e verso, o que contabilizam 16 páginas. Aí residiu meu erro. Não me lembrava de que estas páginas (únicas num documento com 63 páginas) haviam sido impressas em folhas onde foram utilizadas a frente e o verso para a impressão. Este erro me deixou triste por duas razões: pela falta tosca que acabei cometendo em um trabalho científico-jornalístico desta envergadura: https://www.youtube.com/watch?v=6EqQu6F-mp8 e pelo fato de o juiz ter realmente baseado a sua decisão contra a minha pessoa justamente naquilo que, diante de qualquer tribunal, sempre consistiu a razão para a aplicação da justiça: as provas. O procurador da República, Leandro Bastos Nunes, me processou naquele tribunal federal por calúnia e difamação. Diante da impossibilidade desta acusação se sustentar com a existência das provas de que realmente enviei a denúncia ao senhor procurador, o mesmo tribunal que me processava por calúnia e difamação resolveu passar sobre a legitimidade das provas do primeiro processo e aceitar a proposição de um segundo, muito mais conveniente, de insanidade mental. O que fazer?

Eis os documentos da decisão judicial:







      

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Carta Aberta ao Senhor Procurador da República, Doutor Leandro Bastos Nunes

Senhor Procurador da República, Doutor Leandro Bastos Nunes,

Em verdade, ao longo deste lamentável período compreendido entre a publicação desta postagem no Genoma Brasil, em que o acuso de prevaricação, dezenas de pessoas, entre as quais posso contar duas promotoras, uma procuradora, e até mesmo uma juíza federal (muitos de meus amigos e amigas  de longa data se tornaram respeitáveis operadores do Poder Judiciário, outros, simplesmente, pessoas que o tem na conta de amigo e colega de trabalho) me procuraram para dar testemunho de seu caráter e conduta ilibada, a qual eu mesmo pude constatar, através de pesquisas metódicas sobre sua pessoa nos mais diversos sítios de dados jurídicos disponíveis, onde não encontrei nada que depusesse em seu desfavor. Durante muito tempo, desde o primeiro envio de material denunciatório ao Sr. por mim via e-mail, o que pude comprovar, na forma da lei, em Ata Notarial anexada aos autos processuais, cogitei na possibilidade que sua demora em responder poderia, de fato, estar alicerçada, no não recebimento de meus e-mails, a pesar de os mesmos estarem salvos em meu e-mail na seção "ENVIADOS".Um hacker hábil pode manipular mesmo o site da Procuradoria da República, presumo, baseado em fatos recentes como os incidentes envolvendo hackers que invadiram o site do FBI, nos Estados Unidos, e ter causado tais transtornos. Porque um hacker faria isso? Minha denúncia atingiu política, moral e criminalmente, altos executivos do Governo Federal, entre os quais contavam-se ministros de Estado. O Doutor Luis Fernando da Silva Bouzas, maior autoridade do Ministério da Saúde em políticas e programas para transplante de medula óssea e outros precursores hematopoiéticos, com quem luto durante quase uma hora e meia naquela comprometedora Gravação Telefônica hospedada no Youtube sob o link: https://www.youtube.com/watch?v=6EqQu6F-mp8 de título: "Gravação Telefônica: Governo Dilma Rousseff Implicado na Máfia do Transplante de Medula Óssea", ao longo da qual o mesmo, acuado sob o peso de minhas acusações, chega a fazer repetidos convites para que eu fosse à sede do Instituto Nacional do Câncer/Ministério da Saúde, na cidade do Rio de Janeiro, "debater" com a cúpula do Ministério da Saúde sobre as questões relativas ao transplante de medula óssea no país, assunto de alta complexidade, acessível a apenas a cientistas e pesquisadores de renome nos campos de Terapia Celular, Hematologia, Imunogenética, etc. Sejamos adultos e ponderados, senhor procurador, o que eu, um autodidata que nunca fez nenhuma faculdade, teria para debater com um homem com um cientistas dono de um currículo tão extenso como o apresentado na plataforma lattes, na sede do maior órgão do Governo para a área do combate e controle do câncer no país, se não houvesse algo de muito sério e sombrio por trás de minhas acusações?

Muitas pessoas, como se pode comprovar através dos comentários do Sr. Ricardo Martins e Sra. Soraya, nesta postagem, me procuram para testemunhar-me sobre sua conduta séria e exemplar dentro do Judiciário brasileiro. O que me levou a insistir em manter esta publicação disponível no Genoma Brasil foi a natureza obscura do processo movido pelo Sr.e o Ministério Público Federal contra a minha pessoa, de forma sigilosa. Não vou entrar aqui nos pormenores que apontam para as anormalidades procedimentais na condução deste processo, as quais abundam em minha resposta judicial à Meritíssima Senhora Doutora Juíza Tanille Ellen Nascimento de Macêdo, que podem ser lidas no link:

 http://genomabrasil.blogspot.com.br/2015/07/resposta-judicial-de-ivo-sotn.html


Eu levei um ano para descobrir que estava sendo processado (só descobri, na verdade, através de uma amiga que se tornou juíza federal) e quando entrei no site da Justiça Federal, vi que a parte litigante tinha o nome sob sigilo.

Outra grande razão para minha insistência em manter esta publicação foi o fato de eu não ter sido chamado nenhuma vez pelo Ministério Público Federal para dar qualquer depoimento sobre a Máfia do Transplante de Medula Óssea, organização criminosa fincada no Ministério da Saúde do Brasil, responsável por tráfico de tecidos humanos (medula óssea), dentre outros crimes. Confesso que o fato de o senhor não ter instituído, concomitantemente ao processo criminal contra a minha pessoa, um procedimento público com vistas a me ouvir e apurar os fatos depôs contra o senhor, para o seu detrimento. Sei que o Sr. certamente investigou minha denúncia, mas eu nunca fui ouvido nem pelo senhor nem por ninguém do Judiciário Brasileiro. Para o Sr. ter uma ideia da situação kafkaniana em que me vi encerrado, eu e minha esposa chegamos a procurar o delegado da polícia Civil daqui à época para registrar uma queixa contra a coação que eu e minha esposa passamos a sofrer com este trabalho denunciatório, com indivíduos nos seguindo à paisana diariamente, sempre que saiamos, e o delegado disse que não registraria a queixa porque tráfico de órgãos estava fora de sua "alçada", mesmo eu tendo feito questão de salientar que o que estávamos fazendo era denunciar uma coação exercida contra mim e minha esposa dentro de sua circunscrição policial, não o crime de tráfico de órgãos, que é de alçada da Polícia Federal, como sabemos. A maior prova disso é esta gravação de uma conversa que tive com a promotora de Camaçari:

https://www.youtube.com/watch?v=qZqIoSCMC70   
   
No mesmo dia em que o delegado nos disse não ao nosso direito de queixa, olha a recepção que um policial federal me ofereceu diante de uma denúncia seríssima:

https://www.youtube.com/watch?v=xGC7XDUsB9k


Não estou mais à frente desta denúncia, senhor procurador. Durante estes anos, o sofrimento a que submeti a mim mesmo e a minha amada Herlene, por conta de uma luta implacável para frear uma verdadeira matança contra crianças portadoras de câncer, foi grande de mais. Nos propusemos derrubar a Portaria Ministerial N° 844, do Ministério da Saúde, a qual limitava criminosamente as chances de milhares de crianças brasileiras portadoras de cânceres hematológicos no acesso ao transplante de medula ósse. E derrubamos esta portaria. Durante nosso trabalho contra a vigência desta "lei" assassina, a mesma foi modificada diversas vezes. Acho que nunca uma Portaria recebeu tantas emendas como a Portaria N° 844, as quais podem ser vistas no texto de minha resposta judicial, num dos links supracitados. O irônico de tudo isso é que ganhamos muitos inimigos dentro da própria causa onco-hematológica brasileira, ativistas interessados na manutenção de tantas mortes por leucemia (para parafrasear Nietzsche, quem vive de combater um inimigo tem intenção de deixá-lo sempre vivo), médicos hematologistas interessados em "privatizar" serviços que deveriam ser prestados em caráter gratuito e até mesmo papais e mamães de crianças portadoras de câncer, senhor procurador. Por mais abjeto e absurdo que isto possa lhe parecer (foi a minha percepção no início) o ser humano pode descer a este nível de degradação para lucrar com a miséria do próprio filho, através de campanhas para angariar fundos que seriam supostamente direcionados ao tratamento da criança, mas que acabam se convertendo em artigos de luxo, como roupas de grife, carros, viagens ao exterior, etc. Outra forma encontrada por criminosos desta natureza (a maioria das pessoas desta causa age assim) para obter lucro é com o uso exaustivo de imagens onde crianças agonizam em seus leitos, em sua intimidade, imagens canibalizadas por hipócritas interesseiros sob o pretexto de estarem lutando em nome de suas próprias vítimas.

Abandonamos esta causa e esta denúncia, doutor. A maior prova de que paramos no momento oportuno é o fato de ainda estarmos vivos e sadios. O curioso de tudo isso é que eu, o denunciante, fui o único processado e que, graças ao seu processo contra a minha pessoa o nome MÁFIA DO TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA, pode ser registrado num órgão judiciário da República. Ao ler os autos processuais e ver que a matéria "Resíduos de Parto: o Ouro Vermelho da Máfia do Transplante de Medula Óssea" estava inserida integralmente, embora com o inconveniente de estar sendo utilizada contra mim mesmo,fui tomado de sentimentos ambivalentes: fiquei indignado e feliz ao mesmo tempo.

Algumas das pessoas que me procuraram são da Comunidade Espírita da Bahia, irmãs espirituais do Sr. Estas pessoas, com uma sinceridade que aprendi a constatar através da Etologia, ciência da qual sou estudioso e que ensina sobre determinados padrões motores característicos presentes nos indivíduos quando há sinceridade ou falsidade em suas argumentações, me falaram sobre sua profunda espiritualidade e generosidade dentro desta comunidade. Isso serviu para reforçar ainda mais minha inclinação em remover esta postagem, aliada, obviamente, nos fatos sobre sua conduta.

Dias atrás entrei no site do Tribunal Regional Federal e não pude deixar de rir. A Defensoria Pública da União, órgão de quem revoguei o direito de advogar em minha defesa, devido ao exposto em minha defesa judicial à Meritíssima Juíza, peticionou em meu "favor", alegando insanidade. Veja que curioso! Certamente, por força das leis processuais, por eu não ter conseguido gozar de meu direito de postular em minha própria defesa, previsto no artigo 8 da Convenção Americana de Direitos Humanos, a DPU, que já havia sido retirada do processo, retornou. Para me auxiliar neste árduo caminho. O curioso é que eles alegam minha insanidade sem nunca terem conversado comigo a respeito e que, tecnicamente, isso serviria apenas para "reabilitá-lo" perante a sociedade, caso o senhor precisasse disso, uma vez que as pessoas de bem veriam que um "insano" escreveu aquelas coisas contra o Senhor. Não é cômico? Hoje, mas maduro, calmo e embasado, sei que o senhor não precisa de tais expedientes. Mas, sejamos razoáveis, veja se não é o que parece.

Senhor procurador, vou deixar esta postagem no ar até o período em que o senhor me responder. Que esta carta aberta sirva para restabelecer perante aqueles a quem esta postagem pode ter influenciado de forma negativa sobre a sua conduta, o seu merecido respeito. Vou lhe ser sincero em mais uma coisa: sei que, diante dos fatos, o senhor nunca recebeu NADA nosso através de e-mails, agora estou firmemente convicto. Mas isso não quer dizer que estes e-mails não tenham de fato chegado as suas contas de e-mails pessoal e institucional. Que eles chegaram é fato. Está provado em Ata Notarial anexada ao processo. Resta saber quem pode ter impedido que este material chegasse às suas mãos.

Estou vivendo um momento muito feliz em minha vida, onde eu e minha esposa, além de estarmos reconstruído nossa história em termos financeiros e profissionais, seriamente danificada por conta desta denúncia contra a Máfia do Transplante de Medula Óssea, estamos à espera de um lindo menino. Lhe peço desculpas, publicamente. A razão desta carta não é induzi-lo a extinguir este processo, uma vez que o senhor está em seu direito em dar seguimento. Mas gostaria de pedir-lhe para pensar nesta possibilidade. A prossecução deste litígio só serviria para nos desgastar a ambos, uma vez que o senhor tem a sua certeza e provas de que nunca recebeu nada via e-mail, e eu, a certeza e provas de que enviei-lhe, embora hoje eu acredite ter cometido uma injustiça ao afirmar que o senhor as recebeu. Porque acredito em sua integridade? De todas as pessoas a quem denunciei publicamente, o senhor foi a única que se sentiu ferido e com razões para processar-me criminalmente.
Não vou mentir e dizer que não existe em algum lugar de meu ser a possibilidade de eu estar sendo enganado pelas circunstâncias, mas diferentemente do que o senhor afirmou a meu respeito, eu prefiro cometer o erro de enganar a mim mesmo que atentar injustamente contra uma pessoa de caráter.   

Sinceramente,

Ivo Sotn.

P.S.: Desculpa se não consegui expressar adequadamente minhas argumentações, é que não tive tempo para reler o texto e o escrevi quase que automaticamente. A ideia era apenas dois parágrafos.