Como o silêncio possivelmente remunerado da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) contribuiu para que milhares de mulheres brasileiras recebessem (e continuem recebendo) implantes cirúrgicos de malhas vaginais para prolapso de órgãos pélvicos (POP) e slings suburetrais para incontinência urinária de esforço (IUE) feminina, materiais proibidos em vários países por provocar graves complicações pós-cirúrgicas e mortes? Uma carta à sua diretoria colegiada.
Senhores Diretores colegiados (a),
Leandro Safatle, Marcelo Mario Matos Moreira, Daniel Meirelles Fernandes Pereira, Thiago Lopes Cardoso Campos e Daniela Marreco Cerqueira, a quem, em razão de sua formação técnica em biologia e seu gênero (as maiores vítimas do holocaustos das malhas e slings de plástico são mulheres acima dos 30 anos, faixa etária que coincide, sobretudo em mulheres com histórico de partos vaginais, com o aparecimento de sintomas de disfunções do assoalho pélvico (DAP), passíveis de correção cirúrgica com os implantes de plástico aqui denunciados), dirijo essa carta aberta,
Nesse momento, a Anvisa exibe para as câmeras da imprensa brasileira, como um verdadeiro troféu, a suspensão da comercialização dos detergentes da Ypê contaminados por bactérias. Há muita pirotecnia e estardalhaço em volta desse caso, marcado pelas tolices que caracterizam a evolução política de nosso povo, com luta encarniçada, entre militantes lulistas e bolsonaristas, em torno de uma ação logicamente importante para a segurança do consumidor brasileiro, mas quase inócua, se comparada com os milhares de corpos de mulheres brasileiras (apolíticas, lulistas, bolsonaristas ou de qualquer outra ideologia, raça ou classe social) vitimadas, inacreditavelmente, pelo implante cirúrgico de pedaços de plástico (malhas de polipropileno, o mesmo usado em tampas de garrafas de refrigerante e de embalagens de detergentes da Ypê), realizados por seus próprios médicos contra seus órgãos pélvicos, conhecidos popularmente como malhas vaginais para prolapso de órgãos pélvicos (POP) e slings suburetrais para incontinência urinária de esforço (IUE) feminina, produtos proibidos parcial ou totalmente pelas agências regulatórias dos Estados Unidos, Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia, dentre outras, devido às graves complicações desencadeadas nas fases intraoperatória, como a perfuração de órgãos e lesão de vasos sanguíneos e nervos, e complicações pós-operatórias tardias, às vezes manifestadas anos após a realização do procedimento, como lesão de órgãos pélvicos decorrentes da migração do implante ou sua retração (encolhimento), devido à oxidação do plástico, provocando dor pélvica crônica excruciante, sangramento vaginal, anal, extrusão do plástico através das paredes da vagina, útero, bexiga urinária, intestino e tecidos moles adjacentes, erosão tecidual e infecções recorrentes das feridas, resultando em mortes diretas, geralmente por sepse ou hemorragia (mais aqui e aqui), e indiretas, através de suicídios motivados pela dor pélvica crônica (DPC) excruciante e ininterrupta que torturam essas mulheres, às vezes por vários anos seguidos.
Inacreditavelmente, a Anvisa pune irregularidades em garrafas de detergentes e outros produtos de limpeza, ação irregular com menor potencial de causar danos à saúde da população, mas legaliza a comercialização e implante cirúrgico, em larga escala, de pedaços de plástico (malhas e slings de polipropileno ou outros matérias sintéticos), capazes de causar danos incapacitantes permanentes e mortes em milhares de mulheres brasileiras e estrangeiras residentes no Brasil. Vários trabalhos baseados em cirurgias de explante completo ou parcial de malhas e slings suburetrais de plástico usados em cirurgias ginecológicas mostra danos graves, imediatos ou tardios, como dor pélvica crônica incapacitante, sepse, hemorragia e morte.
Por que a Anvisa se preocupa com bactérias em detergentes, caso que não resultou até agora - de acordo com o que pude confirmar - em nenhum dano físico à saúde de qualquer brasileiro humano ou à saúde de um único gato, cachorro ou qualquer animal, mas legaliza a venda e implante de pedaços de plástico, reconhecidos internacionalmente como perigosos e potencialmente incapacitantes e mortais, nas vaginas e outros órgãos pélvicos das mulheres brasileiras, deixando agir impunemente as empresas multinacionais produtoras desses dispositivos e os médicos cirurgiões que, apesar de conhecerem os riscos inerentes aos implantes, proibidos total ou parcialmente em vários países, continuam, por ganância e certeza da impunidade, utilizando-os em cirurgia reconstrutiva pélvica, fazendo fortunas milionárias às custas da ignorância de suas próprias pacientes sobre as complicações, implantado em seus órgãos pélvicos um produto potencialmente danoso e mortal, que já destruiu as vidas de um número incalculável de mulheres ao redor do mundo. Uma estimativa feita em 2018 só para slings suburetrais apontava para o assombroso número de mais de 10 milhões de implantes em mulheres de todo o mundo, número que, com toda a probabilidade, foi subdimencionado, mesmo considerando apenas os slings suburetrais, considerados a cereja do bolo por cirurgiões e fabricantes, por se tratarem apenas de pequenos pedaços de fita de malha plástica barata introduzidas entre a uretra e vagina da paciente às cegas, através de técnicas cirúrgicas que assombrariam qualquer açougueiro durante o desmembramento de animais mortos ou médico veterinário, durante o manejo cirúrgico de animais vivos, o que, frequentemente, lesiona, já no intraoperatório, nervos, vasos sanguíneos e órgãos, sendo necessário, no pós-operatório imediato ou tardio, o seu explante cirúrgico, devido às graves complicações, que podem ocorrer, mesmo 17 anos após a cirurgia.
A morbidade atroz e permanente infligidas por esses implantes às mulheres geraram um tsunami de processos em vários países, movidos por vítimas cruelmente mutiladas, com sangramento vaginal e dor pélvica crônica resultante de lesões na uretra, vagina, útero, bexiga urinária, reto e outros tecidos moles, frequentemente incapacitantes, e infecções recorrentes, contra seus médicos e as empresas fabricantes, como a Johnson e Johnson (Ethicon), Boston Scientific e Coloplast, dentre outras. Apenas nos Estados Unidos, dados do ano de 2019 do sistema de justiça nacional apresentaram mais de 104.000 processos, com mais de 8 bilhões de dólares pagos às vítimas pelos fabricantes das malhas e slings, além de milhares de indenizações pagas através de acordos judiciais sigilosos feitos entre as vítimas e os fabricantes.
Diante de todos esses dados, surge a pergunta incômoda: por que a Diretoria Colegiada da Anvisa, que alardeia para os quatros cantos a proibição da venda de detergentes contaminados, deixaria de proibir os implantes de plástico da Boston Scientific, Johnson e Johnson e Promedon, dentre outras, os quais estão destruindo os órgãos pélvicos e as vidas de milhares de mulheres brasileiras nos âmbitos erótico, reprodutivo, familiar, social, educacional e profissional, matando, com toda probabilidade, muitas delas, através de através de infecções, hemorragias e suicídio, uma tendência observada nas vítimas do holocausto provocado por esses implantes da dor e da morte em vários países. A proibição desses produtos cirúrgicos potencialmente danosos à saúde reprodutiva e global das mulheres brasileiras tiraria do limbo milhares de mulheres mutiladas, destruídas pela dor, infecções e sangramento vaginal crônico, resultantes das complicações pós-cirúrgicas. Daria voz a estas mulheres, que, no momento, encontram espaço para falar de suas dores e desespero apenas no pequeno espaço reservado a comentários em vídeos sobre cirurgias de slings e malhas, postados no YouTube ou em outras mídias por médicas e médicos ginecologistas e urologistas, ávidos por capitar e inserir novas pacientes neste campo de concentração sem muros, criado pela "inovação tecnológica" de nossos melhores pesquisadores das áreas de ginecologia, urologia, uroginecologia e coloproctologia, a partir do nefasto experimento realizado em 1987 na Austrália com 13 cadelas de rua pelos pesquisadores-falsificadores Peter E. Petros e Ulf Ülmsten, fundadores da Teoria Integral da Incontinência Urinária Feminina (TIIUF), seita médico-religiosa responsável por embasar "cientificamente" o implante permanente de plástico entre os órgãos pélvicos femininos, após os resultados obtidos em 13 fêmeas caninas, algumas sacrificadas entre 6 e 19 semanas após o implante, outras, 6 semanas após a remoção do plástico, totalizando um tempo de 25 semanas de estudo. De um experimento com cadelas de rua, esses autores partiram para as cobaias que os pesquisadores dos campos da ginecologia e urologia empregam preferencialmente em seus estudos (depois de fêmeas de roedores e cães): as mulheres em situação de vulnerabilidade educacional, social e financeira que se submetem, impelidas pela pobreza, ao atendimento médico "gratuito" em departamentos de ginecologia ou urologia de hospitais universitários de todo o mundo. Trinta mulheres australianas em situação de vulnerabilidade serviram como as primeiras cobaias humanas no primeiro trabalho de Petros e Ülmsten que "validou" no, meio acadêmico e empresarial, sua seita médico-religiosa, a qual conquistou milhões de sectários ao redor do mundo, atirando à lama a dignidade, ética e cientificidade da ginecologia e obstetrícia, da urologia, da uroginecologia, da coloproctologia e da fisioterapia pélvica (fisioterapeutas pélvicos de todo o mundo se calam diante do holocausto das malhas porque dependem do encaminhamento de pacientes por esses profissionais), o que levou os médicos dessas especialidades a transformarem, através das complicações intra e pós-operatórias desencadeadas pelo implante cirúrgico de pedados plástico, a incontinência urinária de esforço (IUE) feminina e o prolapso de órgãos pélvicos (POP), problemas disfuncionais do assoalho pélvico feminino, conhecidos desde os antigos egípcios como condições fisiopatológicas socialmente constrangedoras, mas geralmente indolores e inócuas, em uma síndrome terrivelmente incapacitante e potencialmente mortal, à qual me referi em meu livro (Carta a Gert Holstege, trabalho que tem como tema central aspectos neuroanatômicos e neurofisiógicos da resposta sexual feminina), de síndrome de Petros [síndrome de Petros-Ülmsten-EBS-FDA]), movido pela necessidade de nomear aquilo que muitas das vítimas, por ignorarem a história suja por trás desses implantes da dor e da morte, chamam coloquialmente de doença das malhas (mesh disease) ou síndrome da vagina mutilada (mutilated vagina syndrome). Embora se tratem dos principais responsáveis pelo holocausto das malhas, Petros e Ülmsten (morto em 2004) são venerados e bajulados como deuses supremos dentro da comunidade médica, pois descobriram a fórmula mágica de transformar plástico em ouro, o que trouxe imensas fortunas para os fabricantes e implantadores das malhas e slings ao redor do mundo, dando origem também a um subespecialidade médica completamente nova: a de cirurgia de explante do plástico implantado, procedimento considerado muito mais arriscado e complexo (e, por essas razões, infinitamente mais rentável para o cirurgião) do que a cirurgia de implante, devido à integração do pedaço de malha e slings, objetos altamente porosos, às paredes de vasos sanguíneos, nervos e órgãos pela encapsulamento fibroso da tela de plástico (fibrose periprotética), necessitando, na maioria das vezes, de várias cirurgias para retirar um único implante, como relatado por várias pacientes e médicos que não aderiram à seita medico-religiosa de Petros e Ülmsten, como os doutores Dyonisios Veronikis, Schlomo Raz e Donald R. Ostergard, dentre outros poucos médicos e médicas que não traíram as mulheres nem a medicina, os quais foram obrigados a criar, do zero, uma especialidade para uma doença grave e mortal que surgiu de repente, destruindo completamente as vidas de suas pacientes com sofrimento extremo e morte.
A mordaça conveniente da Anvisa: entre o risco bacteriano depositado dentro de garrafas de detergente pela Ypê e os danos permanentes e mortes resultantes do depósito cirúrgico de pedaços de plástico da Johnson e Johnson, Boston Scientific, Coloplast e Promedon dentro da vagina, útero, uretra, bexiga urinária e intestino das mulheres brasileiras por seus médicos-algozes
Qual o medo (ou interesse espúrio) que moveu os diretores da Anvisa nos últimos anos em relação ao esclarecimento da população feminina brasileira sobre os riscos das malhas e slings, as quais também atingem, embora em menor medida, a população masculina, uma vez que implantes de pedaços de polipropileno também são empregados em cirurgias de hérnias e incontinência urinária masculina, vitimando milhares de homens em várias partes do mundo e, com toda probabilidade, também em solo brasileiro. Será que uma ou mais empresas fabricantes das malhas e slings, temerosas em ter de pagar também para as milhares de vítimas brasileiras novas indenizações milionárias, além de perder novas “clientes” no mercado brasileiro, estão alimentando, por meio de suborno, a mordaça - aparentemente voluntária - da Anvisa? Se digitarmos as palavras-chaves “malha e sling” na caixa de buscas do site da Anvisa, o único “comunicado” disponível sobre as malhas e slings data do dia 15 de maio de 2019, intitulado: Evento Vai Debater a Efetividade Clínica de Implantes, o qual se refere a uma reunião que ocorreria no dia seguinte (16 de maio), com a participação de representantes da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e da Associação Médica Brasileira (AMB). Não há no site informações confirmando se a reunião aconteceu. Mas, estranhamente, há uma atualização do texto da matéria no dia 21/08/2025. Por que a única matéria disponível no site da Anvisa sobre as malhas e slings não falam das graves complicações pós-cirúrgicas e mortes causadas por esses implantes? Por que essa única matéria seria atualizada mais de 6 anos depois de sua publicação?
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| https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2019/evento-vai-debater-efetividade-clinica-de-implantes Acessado em: 17/05/2026, às 11:32 |
Como uma reunião em torno de um problema tão grave como as complicações decorrentes dos implantes não foi publicado com informações diretas sobre os riscos, nem repercutiu em nenhum veículo da imprensa (até onde pude constatar)? Qual a razão para que o único "comunicado" do único órgão regulador de produtos médicos no Brasil contenha apenas 16 linhas escritas, com a ausência calculada de palavras como "risco", "lesão incapacitante intra e pós-cirúrgica", hemorragia e "morte"? Desde 2008, os órgãos regulatórios internacionais emitem alertas sobre os riscos das malhas e slings. Estamos em 2026. Em 18 anos, o único "alerta" da Anvisa disponível em seu site sobre esses implantes contém 16 linhas (média de menos de uma linha escrita por ano) e nenhum alerta às graves complicações decorrentes dessas materiais. As evidências massivas sobre as graves complicações pós-operatórias desencadeadas pelas malhas e slings datam de 1996, quando a Boston Scientific conseguiu o registro no FDA para o ProteGen Sling, sem apresentar nenhum estudo clínico que confirmasse sua segurança, o que causou graves complicações em milhares de pacientes, obrigando a empresa a recolher voluntariamente o produto do mercado em 1999.
De acordo com informações oficiais, a atual Diretoria Colegiada da Anvisa assumiu a gestão da agência recentemente, em 10 de setembro de 2025, o que, presumivelmente, a isenta da culpa em relação às atrocidades a que nossos melhores cirurgiões ginecologistas, urologistas, uroginecologistas e coloproctologistas têm submetido as mulheres brasileiras e estrangeiras residentes no Brasil, em parceria com as associações médicas locais e internacionais e grandes empresas fabricantes de produtos médicos. Se essa Diretoria Colegiada quiser, de fato, prestar um serviço de grande relevância ao povo brasileiro, deve proibir, imediatamente, todas as malhas e slings destinados à implantação em mulheres em solo brasileiro. Uma informação importante: essa Diretoria deve ignorar todos os argumentos oriundos de ginecologistas, urologistas, uroginecologistas e coloproctologistas contrários à proibição das malhas e slings por três razões óbvias: (1) todos ou quase todos os cirurgiões brasileiros que implantam slings e malhas para prolapso (muitos deles professores universitários, autores de trabalhos acadêmicos sobre a reação do plástico dentro da cavidade pélvica de mulheres brasileiras em situação de vulnerabilidade social, na maioria das vezes apoiados sub-repticiamente por fabricantes), têm no currículo dezenas, centenas ou mesmo milhares de cirurgias de implante de sling e/ou malhas de polipropileno, o que, obviamente, gera um enorme conflito de interesse, uma vez que a sua proibição daria visibilidade na imprensa não apenas à tragédia, mas, principalmente, às suas vítimas, mantidas até aqui amordaçadas e acorrentadas, atiradas às valas e círculos de um verdadeiro inferno dantesco pelos atores da Anvisa, comunidade médica e fabricantes dos implantes, o que desencadearia milhares de processos legais e investigações cíveis e/ou criminais contra os mesmos, como ocorrido em vários países); (2) além de interesses legais e reputacionais, todos os cirurgiões brasileiros têm interesses econômicos óbvios em continuar realizando os implantes de plástico, sobretudo os slings, os quais são baratos (não passam de pequenos pedaços de plástico), implantados através de "técnicas cirúrgicas" consideradas minimamente invasivas, podendo ser realizadas em consultório em menos de 30 minutos, rendendo para o cirurgião grandes somas em dinheiro, que, a depender da região, podem ultrapassar R$20,000,00 por procedimento na rede privada. O cálculo é perverso, mas lógico: um cirurgião hábil pode realizar mais de 100 implantes de slings suburetrais em um único mês: R$20.000 x 100 = R$2.000.000,00. De acordo com alguns trabalhos, as taxas de complicações intraoperatórias e pós-operatórias mediatas podem ser inferiores a 5%, sendo, geralmente, de fácil manejo, com a maioria das complicações mais graves ocorrendo no pós-operatório tardio, manifestando-se anos após a operação, em decorrência da degradação e encolhimento do material, causando dor, sangramento e infecção decorrente da extrusão do plástico e erosão das paredes dos órgãos afetados. Se, em um grupo de 100 pacientes, apenas cinco (5%) apresentarem complicações intra ou pós-cirúrgicas que demandem investimento no restabelecimento de sua saúde, ainda assim os gastos do cirurgião serão, na maioria das vezes, muito inferiores ao investido por cada paciente na cirurgia, o que torna o procedimento altamente rentável, mesmo diante de complicações. Ainda que complicações intraoperatórias e pós-operatórias causassem ao cirurgião custos que igualassem o valor investido por cada uma das cinco pacientes na cirurgia (R$20.000,00 x 5 = R$100,000,00), restar-lhe-iam de saldo R$1.900.000,00 (um milhão e novecentos mil reais), valor com o qual pagaria à equipe médica (frequentemente a secretária do próprio consultório), o plástico cirúrgico implantado e demais materiais baratos usados em uma cirurgias de sling para incontinência urinária feminina. Como as complicações mais graves são mais numerosas após um ano de implante, podendo aparecer mesmo depois de 15 anos, os riscos de perda financeira assumidos pelo cirurgião em processos indenizatórios acabam compensando, sobretudo em países como o Brasil, onde processos sobre lesão corporal médica, mesmo quando resultam em morte, costumam se arrastar por vários anos nas esferas civil e criminal, em detrimento das vítimas.
Desde de 2008 o Food and Drugs Administration (FDA) emitiu vários alertas à população americana após diversos relatos de complicações pós-operatórias graves, sobre o risco das malhas transvaginais para prolapso de órgãos pélvicos, proibindo a sua venda definitivamente em 2019. Austrália, Nova Zelândia, Inglaterra, Irlanda do Norte, Canadá e Dinamarca tomaram medidas similares.
Advogados representantes das pacientes vítimas das malhas e slings moveram milhares de processos contra os médicos responsáveis pelos implantes e fabricantes em vários países. De acordo com uma matéria de janeiro de 2019 do Washington Post, somente nos Estados Unidos, um levantamento nas bases de dados dos sistemas jurídicos de diversos estados identificou mais de 104 mil processos, como mencionado, a maioria aberta entre os anos de 2008 a 2019, o que sugere que esses números podem ter dobrado dentro dos últimos 7 anos, devido a exposição constante de casos de pacientes lesadas na imprensa e mídias sociais, através de grupos de suporte às vítimas, como o Sling the Mesh, criado pela jornalista britânica Kath Sansom para denunciar as atrocidades cometidas por médicos, agências regulatórias e fabricantes das malhas e slings após ter sua vida pessoal, familiar e profissional severamente danificada por um desses implantes de plástico.
Até onde ex-diretores da Anvisa podem ter lucrado por não proibir ou, pelo menos, não emitir alertas sobre os riscos das malhas e slings à população feminina? Isso pode ser respondido por uma investigação cuidadosa da Polícia Federal (PF), através da quebra de sigilo bancário e telemático de funcionários do órgão a partir de 2008, ano do primeiro comunicado do FDA sobre os graves danos causados por esses implantes, aos dias atuais, especialmente entre o período de 2017 e 2019, quando esta e outras agências regulatórias internacionais baniram malhas e slings de seus mercados. Com uma investigação séria e minuciosa, contatos extraoficiais entre executivos da Anvisa, autoridades médicas representantes de entidades das áreas de ginecologia e obstetrícia, urologia, uroginecologia, coloproctologia e representantes das empresas fabricantes poderiam identificar as evidências de irregularidades e/ou crimes. O não posicionamento da Anvisa, associado ao desinteresse da imprensa em investigar as vítimas brasileiras das malhas e a fatores como desinformação, transferência de culpa do médico para a vítima, através de frases repetidas como mantras: “A cirurgia falhou porque seus tecidos biológicos são ruins” (frase usada mesmo no pós-operatório tardio, quando a complicação ocorreu depois de vários anos), medo constrangimento das vítimas e gravidade de muitos casos, que as impossibilita de saírem da cama ou da cadeira de rodas, manteve esse escândalo abafado sob uma grossa camadas de gelo até aqui, o qual pretendo quebrar a golpes de martelo, ferramenta que costumo manejar com destreza, em minha carpintaria.
Milhares de vítimas foram identificadas nos Estados Unidos, mais de 104 mil delas através de processos abertos só até o ano de 2019. Qual seria a dimensão do holocausto das malhas vaginais e slings suburetrais no Brasil? Para chegarmos a um número aproximado, devemos levar em consideração vários fatores demográficos e epidemiológicos sobre a população feminina brasileira, como números de mulheres em idade reprodutiva que já gestaram, mas sofreram aborto antes do parto, número de primíparas e multíparas, tipo de parto, número de mulheres no climatério e pós-menopausa, etc, fatores que aumentam as chances de necessidade de abordagem cirúrgica para incontinência urinária de esforço (IUE) feminina e prolapso de órgãos pélvicos (POP), os quais estão sendo preparados para uma trabalho futuro, mais amplo. Mas uma estimativa pode ser feita baseada no numero geral de nossa população feminina, estimada em mais de 104,5 milhões no último senso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e (só para citar as principais [mas não únicas]) especialidades envolvidas no implante de malhas e slings em mulheres) o número de ginecologistas (cerca de 38.000), urologistas (cerca de 6.000), uroginecologistas e coloproctologistas (cerca de 2.500) atuando no país e tempo da introdução das malhas na cirurgia ginecológica brasileira (mais de 34 anos [Palma PCR, Ikari O, D'Ancona CAL, Netto Jr.: Synthetic pubovaginal sling for treatment of stress urinary incontinence. J Bras Urol. 1992; 18: 202-4.]) e a quantidade considerável de trabalhos assinados por urologistas e ginecologistas brasileiros sobre as malhas e slings, publicados em vários periódicos. Abaixo, links para apenas alguns dos relatórios que ajudaram a introduzir as malhas e slings entre os órgãos pélvicos das mulheres brasileiras:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15748373/ (ano: 2002)
Safyre: a readjustable minimally invasive sling for female urinary stress incontinence - PubMed (2003)
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19936588/ (ano: 2010)
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23644813/ (ano: 2013)
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30286580/ (ano: 2018)
Baseado em todos esses dados, solicito à essa Diretoria Colegiada a proibição imediata da comercialização e do emprego de malhas e slings de plástico (polipropileno ou qualquer outro polímero sintético ou natural). Além disso, solicito às autoridades competentes que convoquem, através dos meios de comunicação, todas as mulheres brasileiras e estrangeiras, sintomáticas ou assintomáticas, que foram submetidas a implantes de malhas e slings de polipropileno em território brasileiro, para que seja prestada a devida assistência. Solicito a criação de um grupo investigativo especial para localizar os familiares de mulheres mortas em decorrência das complicações cirúrgicas provocadas por esses implantes, seja diretamente, através de sepse ou hemorragia, ou indiretamente, através de suicídio, provocado pela tortura física degradante, infligida por esses dispositivos, de forma ininterrupta, perfurando seus úteros, vaginas, bexigas urinárias, uretra, intestino, nervos, vasos sanguíneos e tecidos ósseos, musculares e fasciais, e pela tortura psicológica de assistir, de uma cama ou cadeira de rodas, a destruição de sua vida, família e sonhos. Antes de terem suas vidas destruídas pelos implantes, muitas dessas mulheres eram provedoras de suas próprias famílias, deixando para trás, entregues à própria sorte, filhos e genitores idosos, a quem ofereciam amor e abrigo. Os órfãos das vítimas desses implantes precisam ser ouvidos e indenizados. Obviamente, dinheiro nenhum trará nenhuma dessas mães de volta à vida.
Sinceramente,
Ivo Sotn.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30735341/ (ano: 2019)
Baseado nos números demográficos da população feminina e da população médica apta para realizar o implante de pedaços de polipropileno, sobretudo os slings para incontinência urinária, introduzidos entre a uretra e vagina através de instrumentos e técnica medieval, levando em consideração os 34 anos da introdução do plástico (polipropileno) em cirurgia ginecológica no Brasil e a grande quantidade de empresas fabricantes que despejaram nos últimos anos boa parte de sua produção no mercado brasileiro, não seria um exagero uma estimativa de 1 milhão de procedimentos dessa natureza terem sido realizados por aqui nos últimos 34 anos, o que daria uma média de 30.000 procedimentos por ano, incluindo slings e malhas para prolapso. Atualmente temos uma população médica com cerca de 46.500 profissionais "aptos" para realizar esse tipo de procedimento, o que daria uma média de 0,64 implante por ano para cada médico. Logicamente, nem todo médico se torna cirurgião, mas a forma com que a indústria e os acadêmicos responsáveis por "validar" o implante de um pedaço de plástico (sling para incontinência urinária) entre a uretra e a vagina das mulheres foi tão irresistível, através da isca da "cirurgia minimamente invasiva", com o mínimo de custo para o cirurgião, que poucos urologistas ou ginecologistas e mesmo médicos residentes (ilegalmente) não sucumbiram à tentação de realizar em 30 minutos, dentro de uma sala comercial qualquer, uma "cirurgia" que poderia lhe render o dinheiro de um mês ou mais de consultas.
O número de 1 milhão de implantes cirúrgicos de malhas e slings em 34 anos, em uma população de 104,5 milhões de mulheres parece grande, mas apenas a Alemanha, com uma população com cerca de 42,5 milhões de mulheres, registrou em 15 anos (2006-2021) 1.150,811 procedimentos envolvendo a implantação de malhas transvaginais e cirurgias reconstrutivas com reparos realizados com tecidos nativos (da própria paciente) para prolapso de órgãos pélvicos, procedimentos mais demorados e complexos do que cirurgias de slings. Apresentar um número exato de mulheres mortas em decorrência de complicações intra ou pós-operatórias, de mulheres que receberam o implante e morreram por causas não relacionadas, sem nunca ter desenvolvido qualquer complicação (complicações pós-operatórias tardias podem ocorrer até mais de 17 anos após o procedimento), é uma tarefa muito difícil de ser realizada, coisa que pode ser compensada pela identificação de vítimas vivas, sintomáticas ou assintomáticas, através da convocação destas através dos veículos de comunicação. Como ponto de partida, um estudo sobre prolapso de órgãos pélvicos de 2005 constatou que cerca de 30% das cirurgias para a correção dessas distopias são reoperações, o que significa um grande número de falhas na primeira cirurgia. Embora as cirurgias de malhas e slings sejam descritas na literatura pelos autores da "zona de spin" da cirurgia reconstrutiva pélvica (falsificadores contumazes de dados, como foi provado através da condenação de Peter E. Petros, ginecologista-obstetra e sumo sacerdote desses charlatães, e pelos 104 mil processos movidos contra muitos deles, só nos Estados Unidos) como altamente "eficazes e seguras", qualquer pesquisador sério da área de cirurgia reconstrutiva pélvica consideraria, que dentro de uma população de 1 milhão de mulheres operadas em 34 anos, pelo menos 200 mil delas se encontrem sintomáticas nesse momento, devastadas pelas complicações pós-operatórias tardias, agravadas pelo envelhecimento.
Obviamente, é necessário que a Anvisa assuma seu papel fiscalizador e deixe de delegar a regulação de material cirúrgico e medicamentos aos órgãos regulatórios internacionais. A corrupção do sistema 510 (k) do FDA permitiu a introdução legal, em solo brasileiro, de implantes cirúrgicos oriundos de um teste em um grupo de 13 cadelas de rua australianas, que se estendeu para 30 mulheres australianas em situação de vulnerabilidade social, vítimas da corrupção dos ginecologistas-obstetras Peter E. Petros e Ulf Ülmsten. Várias agências regulatórias internacionais fizeram o mesmo, o que criou até aqui a maior síndrome iatrogênica da história da medicina, levando ginecologistas, urologistas e coloproctologistas a transformarem o tratamento da incontinência urinária de esforço (IUE) feminina e do prolapso de órgãos pélvicos, fenômenos fisiopatológicos constrangedores, mas geralmente indolores e que não oferecem risco de morte, em uma terrível e dolorosa doença incapacitante e potencialmente mortal, a qual nomeei, através de uma breve menção em meu livro (Carta a Gert Holstege, o qual não tem como tema principal as malhas), como síndrome de Petros-Ülmsten-EBS-FDA (SPU-EBS-FDA), onde, talvez, pela primeira vez, uma síndrome foi nomeada com nomes que representam pessoas (Peter E. Petros e Ulf Ülmsten, os quais adotaram a falsificação de dados de pesquisa e spin como lema, escondendo complicações pós-cirúrgicas graves de suas vítimas, para favorecer seus interesses financeiros na venda e implantação das malhas, responsáveis pela base haplocientífica ("meio-científica", o que, por mesclar resultados científicos com resultados falsificados, a torna mais danosa do que abordagens pseudocientíficas), a qual deu suporte ao emprego das malhas e slings em escala global), empresas (Ethicon e Boston Scientific, principais empresas responsáveis pela consolidação, produção e distribuição, em larga escala, das malhas e slings) e FDA (Food and Drug Administration, órgão regulatório americano, responsável por aprovar, ao longo de vários anos, dezenas de modelos diferentes de implantes sem qualquer validação de estudos clínicos.
Baseado em todos esses dados, solicito à essa Diretoria Colegiada a proibição imediata da comercialização e do emprego de malhas e slings de plástico (polipropileno ou qualquer outro polímero sintético ou natural). Além disso, solicito às autoridades competentes que convoquem, através dos meios de comunicação, todas as mulheres brasileiras e estrangeiras, sintomáticas ou assintomáticas, que foram submetidas a implantes de malhas e slings de polipropileno em território brasileiro, para que seja prestada a devida assistência. Solicito a criação de um grupo investigativo especial para localizar os familiares de mulheres mortas em decorrência das complicações cirúrgicas provocadas por esses implantes, seja diretamente, através de sepse ou hemorragia, ou indiretamente, através de suicídio, provocado pela tortura física degradante, infligida por esses dispositivos, de forma ininterrupta, perfurando seus úteros, vaginas, bexigas urinárias, uretra, intestino, nervos, vasos sanguíneos e tecidos ósseos, musculares e fasciais, e pela tortura psicológica de assistir, de uma cama ou cadeira de rodas, a destruição de sua vida, família e sonhos. Antes de terem suas vidas destruídas pelos implantes, muitas dessas mulheres eram provedoras de suas próprias famílias, deixando para trás, entregues à própria sorte, filhos e genitores idosos, a quem ofereciam amor e abrigo. Os órfãos das vítimas desses implantes precisam ser ouvidos e indenizados. Obviamente, dinheiro nenhum trará nenhuma dessas mães de volta à vida.
Os cirurgiões responsáveis pelos implantes de malhas e slings de plástico entre os órgãos pélvicos das mulheres brasileiras e as empresas responsáveis pela produção do lixo cirúrgico que desencadeou essa tragédia devem ser identificados e levados à justiça para arcarem com as despesas médicas e devidas indenizações, além de responderem, na medida de sua culpabilidade, por seus atos.
O Código Penal Brasileiro poderá ser utilíssimo na maioria dos casos. Em seu artigo 18, onde nos é apresentado sua definição conceitual sobre crime, ele dispõe: "I - crime doloso: quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo". A pergunta é: será que algum médico brasileiro, após vários anos de registros na literatura científica e regulatória internacional sobre as graves complicações decorrentes dos implantes de polipropileno poderia dizer que não assumiu o risco de destruir para sempre as vidas de suas pacientes, ao realizar os implantes? Ou ainda: será que algum médico ginecologista ou urologista brasileiro, após 6 anos de estudos na faculdade de medicina mais 3 anos de residência em um hospital universitário, requisitos básicos para a sua formação profissional, seria incapaz de prever o resultado da implantação de um pedaço cortante de plástico entre órgãos formados por tecidos moles, em uma região úmida e quente, constantemente submetida ao estresse mecânico provocado pela respiração e todas as outras atividades motoras que dependem da variação das pressões subglótica, intratorácica e intra-abdominopélvica, como a tosse, rizada, fala, canto, exercício, mudança postural, equilíbrio, micção, defecação, atividade sexual, parto vaginal, dentre outras? Se a resposta for positiva, esse médico deve ser eximido de sua culpa, mas banido da medicina para sempre, porque sua ignorância e estupidez, sua incapacidade de prever os resultados que o atrito constante entre tecidos biológicos moles e um pedaço de plástico cortante, macroporoso, soldado às estruturas viscerais adjacentes pela ação intensa de macrófagos e fibroblastos produziria o torna uma máquina ambulante para a produção de lesão corporal e morte.
Sinceramente,
Ivo Sotn.



Thank you so much for raising awareness in Brazil - this is a global scandal with no data collection, gas lighting of women to deny their suffering and no pathways of care to treat women suffering appalling complications https://youtu.be/mJKDXb1UHMk?si=wKYAuIlT0Xmm5Sbm
ResponderExcluirMuito obrigado, Kath, o seu trabalho, a sua coragem são uma inspiração para milhares de mulheres ao redor do mundo, e para mim também. Dar voz a quem não tem voz diante de criminosos corporativos poderosos é uma tarefa espinhosa e muito perigosa. Parabéns por resistir, defendendo os direitos das mulheres no Reino Unido e no mundo!
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